Preparando sua imagem para uma impressão Fine Art

Impressão de "Diabolus in Musica" de Renato Faccini

Impressão de "Diabolus in Musica" de Renato Faccini

Texto publicado originalmente no site do estúdio de impressão Fine Art Imagem Impressa

Estamos falando de impressão Fine Art a partir de arquivos digitais, então vamos partir do pressuposto de que a imagem já está em um arquivo digital. Em outro texto falarei sobre os melhores procedimentos para a captura da imagem, mas por agora consideraremos que a imagem já está em seu computador.

Minhas recomendações são:

  1. Trate a imagem em seu tamanho original, deixe os cortes (crops) e interpolações para o final. É muito prático ter um original tratado sem cortes e sem interpolação, pois isso facilita a sua vida no caso de uma mudança de planos de última hora. Isso vale tanto para imagens capturadas em JPG quanto em RAW, embora fotografando em RAW e tratando em softwares como o Adobe Lightroom essa abordagem se torne mais natural. De qualquer forma devemos manter essa prática até quando exportarmos para o Photoshop: exporte no tamanho original, sem cortes e faça o resto do tratamento na imagem inteira. Não se preocupe demais com o mito dos 300dpi, muitas vezes é possível gerar imagens perfeitas com bem menos que isso dependendo do papel e do tamanho final.
     
  2. Impressão Fine Art Digital se faz em RGB, não em CMYK. Isso pode soar estranho para muitos, mas é a mais pura verdade e faz todo o sentido depois que se conhece a fundo a maneira como a imagem é composta no papel. Como isso exigiria páginas e páginas de texto técnico (e chato) para explicar, vamos apenas acreditar nesse momento. Não convertam seus arquivos para CMYK. Provavelmente eles entraram no seu computador como RGB, então deixe-os assim.
     
  3. Sobre os espaços de cor RGB, sempre que possível trabalhe suas imagens em Adobe RGB. Os melhores equipamentos de impressão hoje já conseguem algumas cores além do sRGB, então faz sentido trabalhar em Adobe RGB para tirar proveito disso. Você pode até trabalhar em espaços maiores, como Prophoto RGB, mas deverá converter para Adobe RGB na hora de gerar o arquivo de saída. Ao converter no Photoshop tenha atenção para os “rendering intents”, alterne entre “relative colorimetric” e “perceptual” com a pré-visualização ativada e escolha o que melhor lhe servir.
     
  4. 16 bits ou 8 bits de profundidade? Se você estiver tratando em Prophoto RGB, 16 bits é praticamente obrigatório e em Adobe RGB é uma boa ideia. Mas na hora de gerar o arquivo de saída em Adobe RGB não é grave passar para 8bits (última coisa a se fazer). Apesar dos melhores sistemas de impressão aceitarem arquivos de 16 bits, nunca constatei uma diferença perceptível nas impressões. Durante o tratamento a profundidade de 16 bits pode fazer toda a diferença evitando a ocorrência de “bandings” em degradês, por exemplo, mas na impressão essas vantagens não são perceptíveis e o arquivo em 8 bits fica bem mais leve.
     
  5. Fuja do JPEG. Mesmo que você tenha capturado a imagem em JPEG, após tratá-la salve em algum formato que não use compressão com perda. Formatos Tiff ou PSD são boas opções. Claro que podemos imprimir belas imagens de arquivos JPEG, mas se pudermos não jogar dados fora é melhor.
     
  6. Caso você tenha um monitor de boa qualidade (próprio para tratamento de imagens) calibrado e caracterizado por hardware e já saiba qual papel usará para a impressão, peça ao seu impressor o perfil ICC do papel em questão para o sistema de impressão que será utilizado. De posse desse perfil você pode fazer um “softproof” para prever como as cores se comportarão na impressão. Entretanto, se você não tem um bom monitor calibrado e caracterizado por hardware e não sabe o que é “softproof”, não se preocupe com isso. A etapa final da preparação em qualquer bom estúdio de impressão envolve a realização desse “softproof” num sistema próprio e, preferencialmente, com você ao lado para opinar.
     
  7. Converse com seu impressor antes de gerar o arquivo final. Impressão Fine Art não é minilab e parte do dinheiro que você está pagando é pela atenção especial do impressor. Se não for assim não é impressão Fine Art, é bureau de impressão. Eu, por exemplo, sempre sugiro que os clientes levem seus arquivos tratados, em Adobe RGB, no formato PSD, no tamanho original, sem cortes. Gosto que o corte e a eventual interpolação seja feita pelo impressor, após a definição de papel e do tamanho exato da imagem. A escolha do papel é uma etapa importantíssima e ninguém melhor que o impressor para auxiliá-lo nessa etapa.
     
  8. Esteja junto durante o parto da sua cria, afinal a obra é sua e tem que agradar a você.
     

Seguindo essas sugestões você reduzirá bastante a possibilidade de ter problemas na impressão e terá como mudar de ideia quanto a formatos e tamanhos de última hora sem grandes preocupações.

Até a próxima.

24 comments to Preparando sua imagem para uma impressão Fine Art

  • […] This post was mentioned on Twitter by Renato Buti, Paula Marina and Valmir P. S., Geraldo Garcia. Geraldo Garcia said: Como preparar sua imagem para uma impressão Fine Art: http://migre.me/11Kqs Novo post no Blog! […]

  • Luis Cavalli

    Geraldo,
    Maravilha de artigo. Caminho difícil, mas que pode fazer toda diferença àqueles que se aventurarem trilha-lo. Espero que sua dedicação e disposição em transferir conhecimento tragam muitos frutos, pois você merece. Abração!

    • Geraldo Garcia

      Grande Cavalli!

      Obrigado. Disposição não tem nada a ver com isso… eu não consigo é calar a boca! hehehe…

      Abraços.

  • Maravilha parceiro, vou tentar seguir suas sugestões.

    Abraço.

  • andre azevedo

    Parabéns pelos post’s sobre impressão Geraldo, já li todo seu blog (inclusive o Diário de bordo hehe linda viagem)obrigado por compartilhar seu conhecimento, vou começar a trabalhar em uma editora e está sendo de gigantesca ajuda seus post’s pois sou iniciante mas os entendo bem… só gostaria de saber o que seria o “softproof”!
    Fico novamente na expectativa de ver o próximo!!
    Abraço e muita paz pra você.

  • guilherme brambilla

    Finalmente uma luz no fim do arquivo… Muito bom, onde é que eu mando meus tiffs..

    abraços e obrigado pelas dicas!!

  • Muito bom o texto, informativo e sem enrolação! Já usava algumas dicas, agora aprendi outras como a do espaço de cor. Acho que a intervenção do impressor é mesmo necessária, porque no escritório doméstico não consigo controlar as variáveis do monitor e luz ambiente.
    Estive aí com uma montagem de carnaval, fui muito bem atendido por vocês, qualquer dia apareço com mais. Abraços, Luiz

  • Simples, rápido e direto. Muito boa a explicação!

  • Eneraldo Carneiro

    Geraldo

    Esse bureau não é o pessoal do antigo laboratório Conceptor? Pergunto porque o laboratório funcionava no mesmo edifício anos atrás.

    []’s

    • Geraldo Garcia

      Grande Eneraldo,

      Bureau? Que bureau? Não… acho que está tudo errado! (Você, sem querer, cutucou a onça! Hehehe…)
      Tenho absoluta certeza de que você sabe e apenas falou “bureau” por hábito, mas vou fazer meu discurso assim mesmo. Pra começo de conversa existe uma PROFUNDA diferença de conceitos. Pode parecer preciosismo de vocabulário, mas são conceitos completamente diferentes.

      Um bureau de impressão é um lugar onde você encontra meia dúzia de serviços diferentes, como fotocópias, impressões em quantidade, impressões de sinalização, banners, etc. Neles você deixa seus arquivos e pega as cópias prontas. É um serviço fundamental e que depende de investimento, know-how, etc, etc… Entretanto não tem nada a ver e não deve ser confundido com um estúdio de impressão Fine Art.

      Num estúdio de impressão Fine Art o cliente (fotógrafo, artista plástico, etc.) participa do processo, que é na verdade a etapa final da sua produção artística. No “pacote” o cliente contrata o serviço de impressão e o know-how de especialistas que auxiliarão nas escolhas de mídias, no tratamento de “pre-press” e que realizarão a impressão em si, tudo feito com materiais, equipamentos e técnicas próprias para a produção de arte, garantindo um nível de qualidade, requinte e permanência que nem em sonho equipamentos de impressão de sinalização conseguem atingir.

      Isto posto, a segunda resposta é não de novo! Hehehe… A “Imagem Impressa” não tem nada a ver com nenhum laboratório, pertence a fotógrafos e artistas plásticos especializados em impressão de arte (eu sou um dos sócios) e esse lab que você menciona, que eu saiba, ficava na Praia do Flamengo.

      Desculpe a resposta longa e falando coisas que, tenho certeza, você sabia. Você que me conhece sabe que sou obsessivo com informação correta, principalmente na internet, afinal acabamos escrevendo para outros também.

      Grande abraço e venha nos fazer uma visita, é só atravessar a praça! Hehehe…

  • Eneraldo Carneiro

    É mesmo, Pr. do Flamengo. Misturei alhos com bugalhos. Mas valeu pela aula! Vou sim visitá-los qualquer hora. Tem sempre gente lá? Horário comercial?

    []’s

  • Vou recomendar aos colegas com certeza

  • Gostaria de descobrir um lugar para impressões fine-art em Curitiba. Estou precisando muito cotar um serviço assim.

  • Zarrir

    Geraldo, parabens pelo artigo! Para impressões fine-art em P&B é grave passar o arquivo para Grayscale antes de mandar para o bureau?

  • Olá, Geraldo!

    Sou fã do seu Blog e do conhecimento que nos passa. Parabéns!
    No item 5 (Fuja do JPEG) você escreveu esse trecho “Mesmo que você tenha capturado a imagem em JPEG, após tratá-la salve em algum formato que não use compressão com perda.” que me deixou encucado ao dizer que “após tratar a imagem” salvar em “algum formato sem compressão”. Não seria mais seguro antes salvar em um desses formatos para depois partir para o tratamento, já que o mesmo pode levar algum tempo?

    Grande abraço!

    • Geraldo Garcia

      Oi Marcus,
      Obrigado.
      Não faria mal algum salvar em TIFF ou PSD antes de tratar. O importante é não salvar novamente em JPG o seu arquivo matriz de tratamento.
      Abraços.

  • Boa noite Geraldo

    Parabéns pelo blog, muito bom mesmo,com esse sobrenome só poderia sair coisa boa rsrsrsr,
    percebi que o foco é sobre fotografia, gostaria de ver algum comentário, sobre a impressão em canvas. como deve ser feito a foto, e como fazer para que a foto fique o mais próximo possível do original, quem for tratar a foto tem que estar de posse do original? e qual é o custo de todo o processo até a impressão.

    Grato pela atenção.

    Carlos Garcia.

  • Obrigada pelas preciosas dicas.

  • Oi Geraldo! Acompanho suas aulas (sim, aulas!) desde os tempos da melhor comunidade do Orkut. Pra mim você é o cara e te respeito muito por todo conhecimento que tem. Estudei bastante até descobrir que não sei nada e hoje bateu na minha porta a dúvida dos perfis sRGB e Adobe RGB. Me corrija se eu estiver errado, mas pelo que entendi no seu texto, você aconselha que a captura seja feita SEMPRE em Adobe RGB? Outra dúvida… levar uma foto com perfil Adobe RGB para a impressão em um bureau faz com que as cores saiam mais escuras?

    Atualmente não estou morando no Rio, mas assim que tiver uma oportunidade (e uma foto razoável) vou até aí para imprimir com você.

    Grande Abraço!

    • Geraldo Garcia

      Aconselho que a captura seja feita em RAW, que vai reter tudo que o sensor da câmera consegue (geralmente muito mais que o AdobeRGB). Esse ajuste na câmera de AdobeRGB ou sRGB só vale para JPEG. Agora, se você estiver fotografando em JPEG para mandar direto (sem editar) para a internet ou para imprimir num minilab… aí é melhor ficar em sRGB mesmo.

      Nunca mande em AdobeRGB para um laboratório expresso ou para um bureau, a não ser que o operador saiba o que está fazendo e te instrua a fazer isso. As cores podem sair erradas se o gerenciamento de cor não for correto, mas não necessariamente “escuras”.

      Abraços.

  • William

    Olá Geraldo !!

    Parabéns pelo blog mesmo passados esses anos todos o Blog continua muito atual !!

    Mexendo no Lightroom surgiu algumas duvidas depois da imagem tratada na hora de exportar fiquei com duvidas , salvando em TIFF ou PSD aparece a opção qual PPI salvar a imagem .

    Isso me causa duvida qual opção escolher para que não ocorra interpolação? Qual é o “natural” da imagem saída da câmera ?

    Se puder ajudar obrigado

    • Geraldo Garcia

      O que importa é a dimensão em pixels, essa caixa de “PPI” só vai fazer alguma diferença se você estiver atribuindo um tamanho em centímetros à imagem, caso contrário é irrelevante. Se você estiver com a “check box” de “resize to fit” desmarcada ou se estiver especificando uma dimensão em pixels essa caixa “PPI” é irrelevante.

  • william

    Valeu pela Resposta , deixo sempre a caixa “rezise fo fit ” desligada para não alterar nada no arquivo . Vou deixar o PPI padrão do lightroom então .

    Sobre lugares para imprimir Fine Art , poderia me indicar algum lugar em São Paulo ?

    Mais uma vez obrigado .

    • Geraldo Garcia

      Tem alguns… de cabeça assim lembro do “Atelier de Impressão”, do “Estúdio 321” e da “Oficina de Impressão”.

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