Tags

Como cobrar por serviços fotográficos (Parte III)

Esta é a terceira parte deste texto. As partes anteriores podem ser lidas clicando nos links a seguir:

“Introdução”, “Parte I”, “Parte II”.

 

Nesse capítulo veremos, na prática, como calcular os custos, como estimar o lucro e como transformar isso em um preço; Durante todo o texto inserirei imagens de exemplos dos cálculos em uma planilha. Essa planilha (em formato Excel “.xls”) estará disponível para download no fim do artigo.

Resumo do processo:

1) Para começarmos a pensar num orçamento precisamos definir quanto tempo será necessário para realizar o serviço, isso inclui pré-produção, execução e pós-produção. Ou seja, quanto tempo será gasto em preparativos, quanto tempo será gasto na realização das fotos e quanto tempo será gasto no tratamento, impressão, etc.

2) De posse do número de horas previstas multiplicamos esse número pelo nosso Valor de Venda da hora (veremos detalhadamente esse cálculo mais abaixo). Isso nos dará o nosso subtotal de valor de horas.

3) Somamos ao subtotal do valor de horas todos os repasses de custo do serviço (transporte, diárias de assistentes, produtores, modelos, aluguel de locação, impressão das fotos, etc.). Isso nos dará o nosso Valor de Realização da Foto.

4) Calculamos o Valor de Licenciamento da Foto, se for o caso (publicidade, editorial, etc.). Fotógrafos que vendem apenas cópias impressas das fotos não incluem esse valor.

5) Somamos o Valor de Realização da Foto ao Valor de Licenciamento da Foto e adicionamos a esse resultado o repasse dos impostos. (Veremos em detalhes o repasse de impostos e o Valor de Licenciamento no próximo e último texto dessa série.)

Vamos então ao cálculo do Valor de Realização da Foto e do Valor de Venda da Hora. Vale ressaltar que não iremos exatamente vender nosso trabalho “por hora”, mas precisamos MUITO saber esse valor para não cairmos em armadilhas.


Cálculo do Valor de Realização da Foto

1o passo: Enumere seus custos fixos.

Simplesmente liste seus custos fixos mensais e some-os. Claro que contas de luz, água, telefone, etc. são variáveis, mas seus valores não variam absurdamente. Lance uma “média pessimista” na tabela. Seja atento a todo tipo de gasto necessário ao negócio e isso inclui seu aprimoramento e educação. Crie uma provisão mensal para cursos/livros e junte esse valor numa conta para custeá-los.

Enumeração de custos fixos
Enumeração de custos fixos

A única coisa aparentemente complicada nesse cálculo é a obtenção do valor da depreciação mensal dos equipamentos. Isso merece atenção, é muito importante e totalmente ignorado pela maioria.


Entendendo a depreciação:

Depreciação é a perda de valor de um bem em decorrência do desgaste no curso de sua vida útil estimada. Você deve calcular o valor de TODOS os seus equipamentos (exemplos abaixo) e estimar sua vida útil em anos. Parta do pressuposto que o equipamento vale o que você pagou na data da compra e passa a não valer nada na data do fim da sua vida útil estimada. Calcule quanto ele perde de valor por mês. Some o valor de depreciação mensal de todos os seus equipamentos e essa será sua “Depreciação Mensal”, isso entra nos custos.

O cálculo em si é simples, vejamos um exemplo:

Câmera Nikon D300, foi comprada por R$5.300,00 em fevereiro de 2009. Num uso profissional intenso eu dou para ela 2 anos de vida. Sim, é um chute, mas deve seguir uma lógica. Mesmo que a câmera resista bravamente, depois desses dois anos o fotógrafo provavelmente vai querer fazer um “upgrade”.

Dividimos então os R$5.300,00 por 24 meses e concluímos que a câmera perde R$220,83 de valor por mês. Isso é a depreciação mensal dela.

Note que no fim da sua previsão de vida um equipamento chega ao valor zero e para de depreciar. Ele pode continuar sendo usado, pode ficar para backup ou pode ser vendido (e o valor de venda é todo lucro).

Os prazos e vida útil são só exemplos e variam de equipamento para equipamento. Use o bom senso. Calcule a depreciação individualmente para equipamentos caros que serão substituídos individualmente (câmeras, objetivas, flashes, etc.) e em grupo para equipamentos de menor valor (filtros, cabos, baterias, etc.).

Faça uma planilha com todos os seus equipamentos usados no processo fotográfico, tudo mesmo. Calcule a depreciação mensal de cada um e descubra qual é o seu custo mensal de depreciação. É fundamental saber esse valor e incluí-lo nos seus custos, pois do contrário, quando seu equipamento quebrar você terá de tirar do seu bolso para repô-lo. Muitos fotógrafos, após fecharem suas contas do mês, colocam esse valor referente à depreciação total mensal em uma poupança para ter sempre o dinheiro de reposição separado e rendendo um pouquinho.

É comum um fotógrafo profissional mediano perder mais de mil Reais por mês em valor de equipamentos sem sequer fazer idéia disso. Esse exemplo foi inventado agora, então posso ter esquecido algo, mas é bem razoável:

Calculando a depreciação dos equipamentos
Calculando a depreciação dos equipamentos

No exemplo acima o valor mensal já inclui um adicional em função da inflação. Ao concluir o cálculo da depreciação mensal total, jogue esse valor nos custos fixos (e separe esse dinheiro).

 

2o passo: Estipule o seu salário.

Vamos deixar claro, pois muitas pessoas têm dificuldade em entender isso: Você vai receber dois montantes de dinheiro mensalmente da sua empresa: Salário (como fotógrafo funcionário) e Lucro (como dono administrador). O seu salário é custo para a empresa, da mesma forma que o salário de outros funcionários. Isso é ótimo pois te permite fazer um trabalho a preço de custo (para caridade ou para um amigo) sem que você tenha que pagar para trabalhar.

Ao estipular o seu salário seja realista. Pense no salário que você precisa receber para sobreviver e não no que gostaria de receber. Lembre-se que você ainda receberá os lucros. Pense no valor que você como administrador pagaria a alguém para fazer seu trabalho de fotógrafo.

Determinando o salário
Determinando o salário

Se você pensa em tirar férias é prudente provisionar um valor que possa, em onze meses, gerar um montante capaz de cobrir o seu salário e os demais custos fixos da empresa. Para tanto pegue o subtotal dos custos fixos, some o seu salário e divida por onze. Esse valor deve ser separado mensalmente para poder cobrir o seu salário e os custos fixos nas suas férias. O total final dos custos fixos mensais inclui esse valor.

 

3o passo: Calcule seus custos por hora e seu Valor de Venda da Hora.

Calcule quantos dias você estará disponível para trabalhar por mês e quantas horas por dia. Novamente, seja realista! Se você só faz casamentos tem que contar somente os dias e as horas viáveis para tal serviço, afinal ninguém casa às sete da manhã de segunda-feira.

De posse do número de horas disponíveis para trabalho por mês, desconte desse número uns 20% referente a inatividade, afinal você dificilmente conseguirá trabalhar 100% das horas úteis (isso evita surpresas desagradáveis). Divida o seu total de custos fixos mensais pelo número de horas úteis (já descontadas) do seu mês de trabalho e você terá seu custo por hora. Pronto! Esse é o seu CUSTO por hora. Você JAMAIS pode cobrar menos que isso, ou estará pagando para trabalhar.
Custo por hora
Custo por hora

Em cima desse valor coloque uma camada de lucro e esse será seu VALOR BASE por hora ou seu Valor de Venda da Hora. Estude e simule bastante para determinar a sua margem de lucro. É aqui que o fotógrafo iniciante irá cobrar pouco (fazendo um valor pouco acima dos custos) e o fotógrafo renomado irá cobrar pelo seu nome e pela sua qualidade.

 

De posse desses valores podemos começar a orçar o valor dos nossos serviços baseado na estimativa de tempo de execução e podemos fazer prognósticos de lucro.

Valor de venda da hora e previsões de resultados
Valor de venda da hora e previsões de resultados

 

4o passo: Orçando os custos variáveis de um serviço

Os passos anteriores serão realizados apenas uma vez e você terá os dados prontos para os orçamentos futuros.

Para orçar um serviço estime o número de horas necessárias incluindo manipulação das imagens (seja pessimista) e multiplique por seu valor de venda da hora. Some a isso os custos variáveis do serviço (exemplificados na imagem abaixo).

Orçamento e custos variáveis
Orçamento e custos variáveis

Com isso obtemos o Valor de Realização da Foto!

 

Nesse ponto alguém sempre pergunta: “Então o valor que eu obtiver será o valor que eu vou cobrar por esse serviço?”

A resposta é: Provavelmente não. Você pode cobrar a mais se achar que é possível… Se o serviço envolver licenciamento da imagem esse valor deverá ser somado, bem como o repasse de impostos (falarei sobre ambos no próximo texto).

Você nunca deve cobrar menos que esse valor. Se achar que está caro, tente enxugar os custos variáveis, as horas ou rever a sua margem de lucro no valor da hora.

Por hoje é só. Valor de Licenciamento, repasse de impostos e mais exemplos amanhã.

Abraços.

 

Clique aqui para seguir para a parte IV (final)

58 comments to Como cobrar por serviços fotográficos (Parte III)

  • Lupsom Ricardo

    Olá Sr. Geraldo Garcia, estou realmente muito satisfeito e grato por suas publicações, sou um novato e estou cobrando preços absurdamente baixo por não saber destes valores que tens citado, agora vou me organizar melhor, dentro de minha realidade é claro, mas já tenho um norte, muito obrigado mesmo e que Deus lhe abençoe…

  • Robson Silva

    Gostei muito do conteúdo e com base em tudo que li e aprendi aqui, elaborei uma planilha que tem me ajudado muito, claro que ela pode ser melhorada e adequada a gosto e necessidade de cada um. Gostaria de enviá-la a você (caso queira) para avaliá-la e de repente compartilhar com quem tiver interesse.

Deixe uma resposta

  

  

  

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>