Como cobrar por serviços fotográficos (Parte II)

 

Esta é a segunda parte deste texto. As partes anteriores podem ser lidas clicando nos links a seguir: “Introdução” e “Parte I” .

No fim da parte anterior eu disse que os elementos principais da composição de preço são três (embora nem sempre os três estejam presentes: “Valor de realização da foto” + “Valor de licenciamento” + “repasse de impostos”.

Nosso objetivo nesse “capítulo” é entender o tal valor de realização da foto, e isso não é pouca coisa. Quando o fotógrafo entende esse conceito e cria uma planilha com seus custos, a coisa fica realmente fácil. Mas até entender e até conseguir criar a planilha, a coisa parece um inferno.

Por isso deixe para ler (ou reler) numa hora sem distrações. Pegue um chá/café e desligue o telefone. Um bloco de notas e/ou uma planilha eletrônica podem ajudar.

Antes de entrar nos detalhes do cálculo do valor de realização da foto, tem umas coisas que devem ficar bem claras, então vamos a elas:

VOCÊ É UMA EMPRESA. Não importa se sua empresa está legalmente constituída ou não, você tem que pensar como um negócio. Obviamente recomendo que todo mundo se legalize para poder emitir notas fiscais, conseguir financiamentos, etc., mas é óbvio que isso é um passo mais sério e que deve ser tomado após muito estudo e avaliação do mercado. Todo mundo começa na informalidade, não tem problema nenhum nisso, mas mesmo assim você deve pensar como uma empresa.

SUA EMPRESA TEM UMA SEDE. Não importa se você tem um estúdio enorme com escritórios ou se trabalha num canto da sua casa. Sua empresa tem uma sede e a manutenção desse local tem custos. Seu estúdio é na sua casa? Então nada mais justo que sua empresa pagar um aluguel de sublocação do espaço (para você mesmo) e parte das contas da casa. Você tem que pensar assim para poder crescer e para poder calcular corretamente os seus custos.

SUA EMPRESA TEM FUNCIONÁRIOS. Não tem? Só você trabalha nela, sem assistentes nem nada? E você acha que você é o quê??? Esqueça que você é fotógrafo, pare de pensar que você é a sua empresa. Pense que você é um administrador de uma empresa que tem um funcionário (por acaso o funcionário é você, mas poderia não ser). Esse funcionário tem que receber um salário fixo, talvez receba comissões também, mas um salário fixo ele TEM que receber e isso é CUSTO para a sua empresa.

Quem já tem mais funcionários sabe como a coisa funciona, só não esqueça de que você também é funcionário e deve ter seu salário embutido nos custos. Salário não é “lucro”, salário é o que você recebe em troca do seu esforço e para poder continuar trabalhando. Um funcionário que não receba salário não está trabalhando de graça, está PAGANDO para trabalhar, pois ele tem gastos para poder trabalhar (transporte, roupas, alimentação, educação, etc.). Não exagere na definição do seu salário, ele não vai ser sua única fonte de renda, pois você também é o dono da sua empresa e ela vai gerar LUCRO (esperamos). Pague a você mesmo o salário que você pagaria a outra pessoa para fazer o mesmo serviço. Isso pode até vir a acontecer… você pode ter que viajar, imobilizar a mão, ter mais serviço do que consegue dar conta, etc.

Acho que já deu para pegar a idéia da coisa, certo? Então vamos adiante para os cálculos.

Valor de Realização da foto:

Também é composto por alguns fatores, geralmente é o resultado de: “Custos Fixos proporcionais” + ”Custos Variáveis” + ”Lucro”. Vamos analisar cada um deles.

Custos fixos (ocorrem todo mês e seus valores são sempre iguais ou próximos)

– Depreciação de equipamentos

– Custos relativos a imóveis (aluguel, condomínio, IPTU, etc.)

– Contas de luz, telefone, internet (acesso e hospedagem de site), etc.

– Despesas de atualização/formação (livros, revistas, cursos, etc.)

– Conservação e limpeza do estúdio/escritório

– Provisão de gastos de manutenção de equipamentos

– Despesas administrativas (contador, tarifas bancárias, etc.)

– Salário de funcionários e seus encargos


Custos variáveis (variam de trabalho para trabalho e são calculados separadamente para cada orçamento)

– Materiais de consumo (filmes, CDs, papel, cartuchos de impressora, etc.)

– Repasse de serviços de terceiros (diária de assistentes, modelos, maquiador, cabeleireiro, produtores, etc.)

– Repasse de custos do serviço (aluguel de locação, transporte, alimentação da equipe, figurino, etc.)

Lucro é o quanto a mais você acha que pode/deve cobrar além dos custos. Se você tiver feito um bom trabalho no levantamento dos custos e não tiver esquecido nada, não cobrar o “lucro” significa que a sua empresa estará trabalhando de graça (embora os funcionários estejam com o salário garantido nos custos).

Definir a margem de lucro é um trabalho subjetivo. Envolve conhecer os valores praticados pelo mercado no qual você está inserido e a noção de qualidade que pode ser atribuída ao seu trabalho. É aqui que o calculo fica diferente para um fotógrafo de renome e um novato, até então os valores dos custos poderiam ser diferentes, claro, mas a fórmula era a mesma. No lucro o fotógrafo de renome irá cobrar pelo seu nome e pela qualidade enquanto que o novato vai jogar barato para conquistar a clientela. Nesse caso isso está CERTO porque o novato já estará com seus custos garantidos.

Muitos devem estar pensando: “Ok… mas como eu faço esse cálculo? Custos variáveis e Lucro eu entendo, mas como eu jogo os custos fixos no orçamento?”

Calma! Estamos chegando lá. Você notou que na “fórmula” eu escrevi Custos Fixos Proporcionais? Faremos uma planilha que dividirá os seus custos fixos (mensais) de forma proporcional às horas gastas na realização do trabalho. Sim, isso significa que você terá que calcular quantas horas serão necessárias para realizar o trabalho que você está orçando (incluindo pré-produção, execução e pós-produção). Mas não se assuste, com a prática fica fácil e ninguém morre se você errar por uma ou duas horas. Seja pessimista.

Na próxima parte vou explicar em detalhes o cálculo da depreciação e como devemos montar essa planilha para calcular o valor de realização da foto.

Por hoje é só. Aproveite para se interar sobre o debate super importante (e super relacionado com esse assunto) que está rolando nos Blogs do Alessandro Dias e do Clicio Barroso.

Abraços.

 

Clique aqui para seguir para a parte III

18 comments to Como cobrar por serviços fotográficos (Parte II)

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