Como cobrar por serviços fotográficos (Parte I)

 

Essa é a primeira parte desse artigo. Para quem não leu a introdução, ela pode ser encontrada clicando aqui.

Nessa parte vamos tentar entender que produtos/serviços os fotógrafos oferecem e como isso vai interferir no valor, depois vamos olhar os itens básicos da composição de preço e suas subdivisões.

E o que os fotógrafos vendem, afinal?

Muitos responderiam sem pestanejar: “Fotógrafos vendem fotografias, ora bolas!”
Curiosamente essa não é (ou não deveria ser) a realidade. Fotógrafos freqüentemente vendem cópias fotográficas ou licenças de uso de suas fotografias. Parece preciosismo lingüístico, mas não é.

Quando uma pessoa compra uma cópia ela pode, simplesmente, pendurá-la na parede de sua casa e mais nada. Ela não pode duplicar essa imagem, não pode publicar a imagem ou estampá-la em produtos, não pode ceder ou usar a imagem em qualquer tipo de publicidade. Ela não comprou “a foto”, apenas aquela cópia impressa. Se quiser outra deve pagar por ela.

Quando uma pessoa ou uma empresa compra a licença de uso de uma determinada imagem ela está pagando para poder usar aquela imagem por um determinado tempo, para um determinado uso, em uma determinada mídia e em um determinado local. É fundamental que tudo isso esteja especificado num contrato. Uma imagem que foi licenciada para um determinado uso não pode ser usada em outro, ou fora do prazo estipulado. Falaremos muito sobre isso mais a frente.

Excepcionalmente um fotógrafo pode vender os direitos patrimoniais sobre uma imagem. É claro que isso só deve ser feito em casos muito específicos e com grande compensação monetária. Isso equivale a dizer que ele emitiu uma licença de uso definitiva, geral e irrevogável ao comprador. O novo “dono” da imagem pode tudo e para sempre. Pode vender, alugar, reproduzir, modificar, etc. A única coisa que ele não pode é ocultar a autoria da foto. Repito: cessão de direitos patrimoniais não pode ser a regra e deve ser muito bem remunerada.

Nessa era digital é cada vez mais comum uma venda que mistura cópias e licença de uso. Por exemplo: Uma modelo precisa de fotos para “composite”, ou um Músico precisa de fotos de divulgação. Nesses casos é comum, hoje em dia, entregar um CD com as fotos escolhidas em alta resolução para que o cliente possa imprimir cópias futuras. Obviamente o valor do serviço deve levar isso em conta, da mesma forma que o contrato vai autorizar um prazo ilimitado para a utilização das fotos, mas DEVE limitar o tipo de uso. Em outras palavras, o cliente pode usar aquelas fotos para sempre, pode imprimir, enviar para revistas, mas apenas como material de divulgação. Ele não pode, por exemplo, ceder a foto para uma campanha publicitária sem a autorização do fotógrafo.

OBS1: É comum que jornais e revistas sejam detentores dos direitos patrimoniais das fotos feitas por seus fotógrafos assalariados, isso geralmente consta do contrato de trabalho e é algo aceitável.

 

OBS2: É comum (mas não é correto) que jornais, revistas e outros veículos tentem empurrar contratos de cessão total de direitos patrimoniais para fotógrafos colaboradores (os “freelancers”). Isso é FEIO! Principalmente porque geralmente pagam muito pouco e esses contratos costumam conter cláusulas onde o fotógrafo fica como único responsável por qualquer processo decorrente da publicação da foto. Ou seja: Eles são donos da foto para fazerem o que desejarem com ela, mas em caso de processo a culpa é sua. Meu conselho é: recuse. Aponte os erros e ofereça um contrato novo. Se você não assinar o contrato a lei está do seu lado, se você assinar um contrato abusivo a contestação fica mais difícil. Na minha experiência sempre recuam e aceitam o contrato apropriado, com cessão por prazo compatível e com uso determinado (isso impede que vendam sua foto para uma campanha publicitária sem sua autorização e sem que você receba, por exemplo).

Tendo entendido as diferenças entre os produtos/serviços oferecidos por fotógrafos, podemos passar a falar dos elementos que compõem o preço. Voltaremos a falar de cada tipo de produto/serviço adiante, dentro dos exemplos.

Elementos da composição do preço:

Geralmente são apenas três (muitas vezes dois ou até um): “Valor de realização da foto” + “Valor de licenciamento” + “repasse de impostos”

Infelizmente o fato de serem apenas três itens não torna nossa vida fácil. Alguns desses valores são muito difíceis de calcular pela complexidade, outros pela subjetividade. Vamos analisar a fundo cada um nas partes subseqüentes desse artigo, mas, por enquanto, vamos olhá-los superficialmente.

Valor de realização da foto:

É o que se cobra para fazer a foto. É o mais complicado de calcular (no início, depois fica fácil graças às planilhas eletrônicas). Nesse item entra quase tudo: Custos fixos, custos variáveis, depreciação de equipamento, repasse de custo de modelos e serviços, salário do fotógrafo e funcionários, etc. Tipicamente é o valor cobrado (acrescido dos impostos) pelos fotógrafos que vendem apenas as cópias, sem nenhuma licença de uso.

Valor de licenciamento:

É o real “ganha-pão” dos fotógrafos publicitários, mas não somente deles. É o valor referente ao uso da foto numa determinada mídia, num determinado lugar e por um determinado tempo para um determinado fim. Se alguém vai usar a sua imagem para ganhar dinheiro (direta ou indiretamente) você DEVE receber por isso.

Repasse de impostos:

Esse é simples e muitos nem listariam como um componente do preço, pois é apenas o repasse dos impostos da nota fiscal no preço final. Só faço questão de destacar porque notei que muitos fotógrafos ignoram esse item e não entendem onde estão perdendo dinheiro.

Nas próximas partes (acredito que serão mais duas) abordaremos cada um desses itens, com especial atenção à questão dos custos.

Por hoje é só. Comentem, perguntem, discordem… Esse texto não será útil se ficar só na teoria.

Abraços.

 

Clique aqui para seguir para a parte II

41 comments to Como cobrar por serviços fotográficos (Parte I)

  • Excelente e de muita serventia Geraldo!
    Parabéns e obrigado pelas informações.

    Abraço,

    Ueliton

  • Rogério Fraulini

    Está ficando perfeito. Tudo bem “espricadinho nos seus míííínimos detalhes”.
    Parabéns Geraldo.
    Rogério Fraulini.

  • Muito pertinentes as colocações… esse assunto é antigo, e polêmico. Eu, pessoalmente, acredito que o mercado é muito mais dinâmico e incontrolável do que querem os fotógrafos. Uma boa parte do problema está na inclusão de muitos profissionais da noite para o dia, saturando o mercado, aumentando a oferta e consequentemente causando uma queda nos preços. Acredito que o caminho é a diferenciação, os fotógrafos tem que buscar isso e procurar seu público.

    Esses problemas não são exclusivos do mercado fotógrafico, nem do Brasil…Eu tento não me preocupar com isso e acredito que os que depreciam demais o trabalho, uma hora ou outra, irão sair do mercado. O importante é não entrar nessa concorrência, sair por fora, de forma inteligente, cobrando o justo e fazendo um trabalho com diferencial que justifique isso.

    Abraços… espero agora a segunda parte..

    Daniel Nobre

  • Geraldo Garcia

    @Todos
    Obrigado! Esse assunto é mais complexo do que parece a primeira vista, então o texto tem que ser em várias partes para ficar mais fácil de digerir.

  • Geraldo Garcia

    @Daniel
    Você está coberto de razão em dizer que esse problema não é esclusivo doa fotografia e que o mercado é dinâmico. O problema é justamente as pessoas saberem o “quanto” é o justo em cada caso.
    Obrigado e abraços.

  • Geraldo, valeu pela visita!

    O meu grito lá no blog deve ser lido de forma detalhada aqui! Vou linkar direto no post para o seu artigo.
    Já tem mais coisa aqui para o fotografo iniciante do que em muita conversa de buteco com amigos!
    Aguardo novidades!
    abs
    alessandro

  • […]  parte 1  parte 2  parte 3  parte […]

  • […] do tutorial ->“Introdução” , “Parte I” , “Parte II” , “Parte III” , “Parte […]

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  • […] Como cobrar por serviços fotográficos (introdução) ? Como cobrar por serviços fotográficos (parte I) ? Como cobrar por serviços fotográficos (parte II) ? Como cobrar por serviços fotográficos […]

  • Excelente!
    Eu já deixei de fazer serviços por conta do “sobrinho da vizinha que mexe com fotografia”.

  • […] Parte I – Elementos de Composição do Preço, Valor de Realização da Foto, Valor de Licenciamento e Repasse de Impostos. […]

  • Renata Badany

    Estou investindo em aprendizado e sempre fico insegura, por ser iniciante acabo achando que meu trabalho talvez não valha tanto quanto de um profissional(essa é uma questão).O próprio profissional ao cobrar um preço ínfimo se deprecia, o consumidor consciente deve questionar a qualidade de um trabalho destes.
    Este artigo é muito esclarecedor até para dar argumentos mesmo para nós iniciantes cobrarmos preços adequados ao nosso trabalho.

  • Olá Geraldo!

    Sou muito agradecido pela sua atitude. Falo como um novato no mundo da Fotográfia. Tenho plena convição que a fotografia para mim é muito mais do que uma profissão em que eu possa ser bem sucedido, e sim, um chamado, uma vocação.
    E para mim, é de suma importancia, ter essas noções, esses conhecimentos que você tem postado aqui sua pagina. Não sei porque, mais em qualquer contexto, seja ele qual for, encontro essa situação, de que parece que os jovens, os iniciantes, são uma ameaça aos mais velhos, experientes. E o interessante, é que para se chegar aonde está, precisa-se, ou precisou-se passar pelo processo que eu (iniciante) estou passando.

    Meu desejo é que continue a se levantar mais Geraldo’s pelo mundo da fotografia,

    Mais uma vez, Muito Obrigado!

  • OI Geraldo!!!
    muito bom esse texto
    so queria fazer umas pergunta Basica!
    comecei a fotografar agora e,nao tenho estudio e claro
    queria saber mais ou menos como eu poderia cobrar
    e ,a licença eh apenas em um contrato,ou eu tenho que ir em um cartorio
    e registrar aquela foto no meu nome!!!
    quando puder me responder agradeço
    muito obrigado!

  • […] cresce e fica competitivo da maneira que deveria ser, através da qualidade e não do preço. COMO COBRAR POR SERVIÇOS FOTOGRÁFICOS – PARTE 1 COMO COBRAR PRO SERVIÇOS FOTOGRÁFICOS – PARTE 2 COMO COBRAR POR SERVIÇOS FOTOGRÁFICOS […]

  • Rafão Rosa

    Geraldo,

    Muito obrigado pelo belo texto, minha duvida hoje esta no que tange a depreciação do equipamento. Pretendo segurar meu equipamento e esses valor deverá ser acrescido nos orçamento, correto?

  • […] This post was mentioned on Twitter by wandeclayt, Editora iPhoto and Editora iPhoto, Carlos & Lene ?. Carlos & Lene ? said: IMPERDÍVEL: Como montar orçamentos? 1. http://bit.ly/cUlJNE 2. http://bit.ly/bwlQSp 3. http://bit.ly/9e8oEv 4. http://bit.ly/cEIV9L #fot […]

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    This post was mentioned on Twitter by anacorrea1: Aconselho para nos fotografos: http://blog.geraldogarcia.com/?p=155

  • Márcia Castro

    Nossa, fiquei encantada mesmo com seu artigo inicial. Tenho enfrentado esse problema de como e quanto cobrar. Resido em uma cidade de interior paulista, com 03 ou 04 fotógrafos tradicionais. Agora, começando meu trabalho, já senti que apresento um diferencial nas imagens que agradou minha clientela, além do atendimento a domicilio para escolha das fotos em um notebook – não possuou ponto comercial ainda. De inicio senti barreira quanto aos demais profissionais, nenhum me auxiliou quanto a cobrança, preços, laboratórios digitais, etc. Após alguns meses na ativa senti que eles estão me olhando. Parece mesmo que o medo cerca a todos. Descobri sózinha como me virar. Cobro ainda pouco, sei disso, e preciso me inteirar de seu artigo. Agradeço muito. Até mais.

  • Michael Gomes

    como iniciante na fotografia tento o máximo possivel absorver todos os conselhos, dicas que um profissional possa oferecer. Obrigado!

  • Wanderson

    Olá

    Fotografei por um tempo e após alguns contratempos deixei de lado tudo isso. Mas estou retornando a área agora. Em pesquisa recente, acabei “caindo” de pára-quedas nesse site, onde encontrei instruções muito valiosas a respeito do “fotógrafo novato”.

    Quero deixar minha satisfação e parabens ao criados disso tudo, pois de certa forma acaba sendo um guia para quem não sabe por qual caminho seguir quando se entra nessa profissão.

    ótimo seria se boa parte pensassem dessa forma…de ajudar aos outros.

    até mais

    Valew!!!

  • Eduardo Barros

    Gostei. acho q cada clausula da matéria foi muito bem fundamentada. Porem, veremos os d+ argumentos aí então darei mainha opinião de forma mais profunda. Acredito eu.

  • Ao contrario do que muitas gente pensa o fotografo é um profissional que tem seus direitos asegurado por lei federal, a lei dos direitos autorais, que já eram amparado nos anos 70, sendo renovada nos anos 90, com alei 9.610\98 essa lei da direito do profissional,cobrar seu trabalho conforme ele acha que vale, exigir seu credito na arte como autor,reproduzi-la quando quizer e como quizer. o fato de vendermos uma foto não tira o direito de ser o autor da foto, a pessoa ou empresa que compra a foto tem o direito patrimonial, mas o fotografo continua com o direto autoral.É claro quando trata-se de foto de pssoas não podemos pública-la sem sua autorização, por escrito. Aqui no Estado do Amazonas existe o sindicato dos fotografos profissionais autonomos que é quem consede o registro profissional de fotografo, penso que todos os fotografo, deveria procurar em seus respectivos estado essas entidade , para que tenhamos uma segurança mais consistente.Tramita no congresso nacional a regulamentação da profissão de fotógrafo´oxalá que essa lei passe.

    • Geraldo Garcia

      Já eu torço para que não passe. De verdade.
      Acredito que vai continuar tudo a mesma porcaria e a lei só servirá para beneficiar faculdades e escolas caça-níqueis e sindicatos geralmente apáticos e corruptos (não que seja o caso especificamente do seu, mas da maioria dos que conheço). Mas todos tem direito à sua opinião, claro.

      Abraços.

  • babi

    Olá, os textos são ótimo, parabéns!
    mas para o visual eu tenho uma dica, no seu texto está dizendo pra valorizar o trabalho dos profissionais, você deveria fazer o mesmo com um web designer, principalmente se estiver usando esse blog para sua divulgação, se vc adquirir um bom design para seu site ou blog, ele tornará o seu trabalho mais atrativo. É isso aí, continua publicando e parabens.

  • Muito útil, realmente necessário para podermos aprender melhor e abrir o leque. Obrigada pelas informações.

  • Renato C.

    Olá Geraldo otimo trabalho! tenho uma pegunta!
    Hojé na maioria das vezes não são só artistas e musicos que procuram por fotografias,
    muitas pessoas comuns procuram por gosto terem books, quadros, albuns de fotos pra si proprias que não serão publicadas a fim de vendas, mas sim em rede sociais, ou mostrar a parentes e amigos, guarda-las como recordação. agora a pergunta ! Como cobra-las por este trabalho? desde ja agradeço a atenção. abraço!

  • Tutorial muito bem elaborado, parabéns, sou estudante na área fotográfica e tenho alguns clientes em vista mas não tinha a mínima noção de como cobrar por uma foto. Compartilhei cada etapa do tutorial individualmente mas ao final da leitura acabei compartilhando o link do site. Muito bom.!!!

  • Andre Luiz

    OOOUU Geraldo, Muito OBRIGADO valeu mesmo quem dera se todos os profissionais tivessem este ponto de vista pensando em melhorar o mercado para nós mesmos do ramo fotográfico, aconselhando os menos experiente e nem sempre menos capacitados, admiro sua iniciativa e vou ser eternamente grato pela sua iniciativa. muito OBRIGADO.

  • Vanderson

    Geraldo, muito obrigado e parabéns pelo blog cheio de informações importantes para o dia a dia dos fotógrafos profissionais ou não.
    Fico meio lisonjeado quando vejo pessoas falando que as coisas estão do jeito que estão porque “o mercado esta saturado de fotógrafos”, ai eu pegunto:Qual é o mercado que não está saturado de profissionais? Já trabalhei em vários seguimentos e todos estavam saturados de bons e maus profissionais, e devido a isso os salários também eram influenciados.Esse negocio que, se a profissão de fotógrafo for regulamentada vai melhorar é pura BALELA.Vim da areá Téc. Mecânica com registro no CREA e tudo,e cansei de receber propostas ridiculas de salários ( cade os sindicatos e os órgãos regulamentadores nessas horas!).Regulamentação não é garantia de nada,cada um tem que saber o seu valor. muito Obrigado.

  • andreia

    Oi Geraldo, muuuuito bom seus posts….obrigada por compartilhar seus conhecimentos conosco…uma pergunta, faço fotos de eventos, casamentos, etc, me pediram nota fiscal, como eu me saio dessa? digo apenas, não emito nota fiscal? tem uma forma legal de dizer isso?
    obrigada, abraço.

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