Como cobrar por serviços fotográficos (Introdução)

Texto original publicado em 10/04/2006 na comunidade “Câmeras DSLR Brasil” do Orkut
Texto revisado e complementado para essa nova publicação.

Parece até gripe… todo ano, aproximadamente na mesma época uma “febre” varre as comunidades e listas de fotografia: “O mercado está ruim porque muitos jogam o preço no chão…”, “A culpa é dos fotógrafos iniciantes…”, “Vamos ensinar os iniciantes a cobrar…”, “Não! Vamos deixar que morram!”, “já cansei disso, já cansei daquilo…” Bla-bla-bla-bla…

Esse assunto é recorrente e muito importante. Escrevi esse texto faz alguns anos, pois acredito que o problema todo é fruto da falta de informação e isso acontece porque os fotógrafos novatos não recebem apoio e instrução dos fotógrafos “das antigas”. Na verdade muitos desses veteranos agem de forma discriminatória e protecionista sem perceberem que é essa atitude que faz com que os novatos cometam erros e prejudiquem o mercado.

Felizmente existem exceções e alguns fotógrafos preocupados com isso sempre tentam organizar encontros, palestras e debates para abordar essa questão e educar o mercado.

Esta versão revisada (quase totalmente reescrita) desse texto vai abordar mais aspectos da composição de preço do que o artigo original (que era focado exclusivamente nos custos).

Quem deve ler esse artigo?

TODOS os que trabalham ou pensam em trabalhar com fotografia. PRINCIPALMENTE os que querem fazer “bico” como fotógrafos (esses podem ter sua vida salva por esse debate).

Vamos aos problemas que geraram esse debate.

Primeiro Problema:

A classe fotográfica (profissionais de fotografia de tempo integral) estão sofrendo (não é de hoje) com a depreciação absurda de seus serviços. E porque isso acontece? Muitos apontam o grande número de curiosos e novatos que entram no mercado cobrando preços ridiculamente baixos como razão. O advento da fotografia digital e as facilidades de processamento inerentes a esse sistema realmente permitem que um grande número de pessoas entre nesse mercado de forma muito mais fácil que a 20 anos atrás. Isso é fato, mas não é “O PROBLEMA”, é apenas uma parte dele.

Segundo Problema:

Esses novos profissionais ou os que fazem apenas “bico” não fazem a MENOR idéia dos seus próprios custos, não sabem calcular um preço JUSTO e acabam (no desespero de faturar) pegando serviços por qualquer R$200,00.

É evidente que um sujeito que mora com os pais, não tem estúdio, usa sua câmera digital que ganhou de aniversário e seu PC para fazer as fotos vai ter um custo muito inferior que o profissional que tem estúdio, várias câmeras, material de iluminação, assistente, etc. Isso é óbvio e NÃO é o problema. O problema é que esse sujeito não sabe que mesmo ele tem custos e não os leva em consideração na sua composição de preço. Eu GARANTO que trabalhando de casa com a câmera e o PC que ganhou de aniversário ele tem um custo mensal fixo de, no mínimo, R$1.000,00. Só que ele não enxerga esse custo, e com isso acaba pegando trabalhos por preços muito baixos. Resultado: mesmo trabalhando de casa em uns quatro anos ele QUEBRA. Não é alucinação da minha cabeça não! Isso é a coisa mais comum no mercado. (Mais pra frente vamos entender essas contas). Este texto pertence a Geraldo Garcia e o original pode ser visto em blog.geraldogarcia.com

O problema é que, durante esses quatro anos ele achatou o preço do mercado. Ele acaba quebrando por conta disso, mas pra cada um que quebra entram mais dois (que vão quebrar também) que continuam achatando o mercado.

Esse “fotógrafo novato” também não conhece seus direitos e a legislação, acha que fazer um retrato da “dona Maria”e vender-lhe a cópia é a mesma coisa que fazer uma foto de produto que vai ser publicada no país inteiro por um ano… e acaba cobrando a mesma coisa por isso. Ele também não sabe que as horas de manipulação PRECISAM ser cobradas. Tudo isso deveria entrar na composição de preços, mas não entra.

A Contra-argumentação:

Nessa hora muitos se levantam e alegam (com razão): “Mas se o profissional é bom e tem um preço justo, porque ele vai ter medo do novato? Se a qualidade da foto do novato é suficiente para o cliente porque ele deveria pagar mais caro pelo profissional?”

De fato! O profissional não deveria temer o novato e os clientes devem sempre ter liberdade para comprar serviços de quem melhor lhes atender. Isso não se discute. O problema é que o próprio novato está SE MATANDO em médio prazo e matando os profissionais junto. Os GRANDES clientes nunca vão contratar alguém inexperiente, vão continuar pagando R$50.000,00 por uma foto na mão dos “maiorais”, lógico. Mas quantos clientes assim existem? 90% do mercado é abastecido por clientes médios e pequenos, com serviços de R$4.000,00 ou menos. Aí é que mora o problema!

Se o tal novato soubesse calcular seus custos corretamente, ele daria um orçamento de R$1.000,00 para uma foto X. O profissional com estúdio, assistentes e custos mais elevados daria um orçamento de R$2.000,00 para a mesma foto X. **PERFEITO!!!** isso está certo! O cliente pode pagar menos e “se arriscar” ou pode pagar mais para ter mais garantias. O nível de importância do serviço e o bolso do cliente é que vão decidir a questão.  Este texto pertence a Geraldo Garcia e o original pode ser visto em blog.geraldogarcia.com

O problema é que, do jeito que as coisas estão, o profissional dá o orçamento de R$2.000,00 e o novato diz que faz por R$300,00. Sabe o que acontece? Muitas vezes o novato até pega o serviço, mas outras tantas o cliente vira pro profissional e fala: “Você está louco? Me ofereceram por R$300,00… eu sei que o cara não é tão bom quanto você, mas é muito mais barato! Eu te pago R$1.000,00 e a gente fecha. Que tal?” E o profissional, no desespero, acaba fechando por um valor que mal cobre seus custos fixos. Nessa situação quem saiu perdendo? TODOS! O profissional, o novato e o cliente. (Ou você acha que o fotógrafo vai se preocupar em fazer a melhor foto do mundo por esse valor?)

Então o que fazer?

É isso que estamos discutindo e debatendo. Esse é o motivo dos encontros e das palestras. Como a fotografia não é uma profissão regulamentada, não existe a possibilidade de criação de um “Conselho” como existe em medicina, engenharia, advocacia, etc. que impede o exercício da profissão por qualquer um e estabelece uma tabela de valores mínimos. Mas não lamento isso, acho que podemos continuar “não-regulamentados” e mesmo assim mais unidos e conscientes. Acredito que INFORMAR e EDUCAR os novatos e os profissionais seja a solução. Os clientes só serão educados “na marra”. O que queremos não é impedir o novato de trabalhar, muito pelo contrário, queremos que ele CONTINUE a trabalhar, que cobre um preço correto que não prejudique o mercado e que não o faça falir em poucos anos.

 


**************

 

As partes subseqüentes deste artigo serão postadas nos próximos dias e abordarão a descoberta dos custos reais, a composição dos custos de produção da foto e dos valores de licenciamento (e quando cobrá-los).

 

Por hoje é só,

Abraços.

Clique aqui para seguir para a parte I

105 comments to Como cobrar por serviços fotográficos (Introdução)

  • Gilvan Oraggio

    Olá Geraldo.
    Agora deparei-me com seus artigos e hoje estou também “migrando” de uma outra área profissional para a Fotografia (assim como você e sua carreira em TI) .
    Formação de preços é uma questão eterna.
    Obrigado pelas informações.
    abcs

  • […] Como cobrar por serviços fotográficos » Geraldo Garcia – Fotografia & … – Uma série muito interessante sobre um assunto que sempre gera discussão. […]

  • Carol

    “Ou você acha que o fotógrafo vai se preocupar em fazer a melhor foto do mundo por esse valor?”
    Você foi muito infeliz nessa frase. A partir do momento em que o profissional acerta um valor com o cliente, ele tem sim a OBRIGAÇÃO de fazer o melhor trabalho do mundo, pois se o cliente está pagando pouco, é porque o profissional aceitou trabalhar por pouco.
    Se o fotógrafo achar que o valor oferecido está muito aquém de seu trabalho, ele não deve pegar o serviço. E se achar que o valor oferecido é muito baixo, mas estiver precisando do dinheiro, pegue o serviço e SEJA PROFISSIONAL, fazendo o melhor trabalho possível.
    Já trabalhei de graça e já trabalhei ganhando bem menos do que eu merecia, mas em momento nenhum tive o pensamento de “já que estou ganhando pouco mesmo, vou fazer de qualquer jeito.”.
    Essa é uma atitude absurda em qualquer profissão.

    • Geraldo Garcia

      Carol,

      Acho que você entendeu errado. Eu não defendo essa prática, muito pelo corntário. Aliás, todo esse artigo deveria deixar isso bem claro, mas como não deixou eu explico: Uma coisa é o que eu defendo e outra couisa é o que acontece diariamente.
      Eu também acredito que, uma vez aceito o trabalho, o fotógrafo deve fazê-lo da melhor forma possível, mas o que mais se vê por aí é fotógrafo cobrando ninharia e não se esforçando com a “justificativa” de que está sendo mal pago. É obvio que eu não concordo, mas o que eu acho ou deixo de achar não muda a realidade.
      Independente disso é fato comprovado que pessoas motivadas trabalham melhor que pessoas desmotivadas. Quer melhor motivação que boa remuneração?
      Espero que agora você tenha entendido.

      Abraços.

      • Rafael Iebra

        Olá Geraldo.
        Sou Novato na profissão e um ponto importantíssimo a citar que acontece muito; às vezes o próprio fotógrafo de anos de casa precisa de um help para fazer determinado trabalho e como está sem tempo procura por novatos para isso, e, este mesmo profissional repassa um preço mínimo para o novato que acabam por reforçar a sua tese citada de que um profissional iniciante na área pega serviços por qualquer ninharia. Digo isso porque quando começamos o profissional fotógrafo de anos de experiência acaba por virar nosso mentor. Com essa ideia de lei de sobrevivência que o mercado tem hoje (parece até leilão) isso para mim acaba reforçando o jovem profissional a também fazer seus preços sem pensar em seus custos. Claro para ganhar experiência com um profissional de nível vale o esforço dou meu sangue e suo a camisa.
        Excelente seu blog e concordo 100% com seu argumento. Possui informações de luz imensa.
        Abs.
        Rafael Iebra

    • Claudia

      Carol adorei seu comentário, tbem acho que não é pq está se ganhando pouco que tem de fazer um serviço ruim. E não subestimo os novatos não pois depende muito do talento de cada um, às vezes um novato com carisma e simpatia conquista mais o cliente do que muitos profissionais de anos e anos.
      Pois fotografar não é apenas apertar um botão, é uma arte. E um dom.

  • Thiago

    CARA QUE POST MAIS PERFEITO!
    VC AJUDA MUITO COM ESTA MATERIA!
    TERIA COMO VC ENVIAR AS PLANILHAS QUE VC USA PARA MIM POR GENTILEZA?
    DAI EU COLOCARIA MEUS DADOS PARA FAZER ESTES CÁLCULOS, ESTOU INICIANDO E QUERO FAZER O CORRETO DESDE INICIO!

    ABRAÇOS
    THIAGO BARROS
    TPBIOLOGO@HOTMAIL.COM

  • Teka Pwaczuk

    Gostei muito do post.
    PArabéns e obrigada pelas dicas!

  • Olá, Geraldo.
    Iniciante em fotografia, achei maravilhoso ler e entender melhor sobre os custos das minhas fotos. O Thiago, no comentário acima, pediu uma planilha para calcular tais gastos, gostaria de uma cópia dela para me guiar nesse comecinho de profissão!

    ps: adorei o post, você acaba de ganhar uma usuária que frequentará seu site sempre!

    Grata 🙂

  • Leonardo

    gostei pra karamba do post.
    eu entrar nessa area de fotografia em breve e esse post foi muito bom muito importante pra eu nao cometer nenhuma besteira….
    vc poderia me enviar uma planilha para calculo de gastos,pra eu ter uma noçao melhor…
    obrigado…
    e parabens!!!

  • Luceval

    Olá, gostaria de que pudesse ajudar-me a respeito de negativos que possuo já há 10 anos do evento, então gostaria de saber calcular um valor justo a oferecer aos clientes, alguns por certo já separados como o caso dos casamentos,rsrs
    Agradeço pela ajuda o mais rápido possível, obrigado e parabéns pelo blog e iniciativa
    Luceval

    • Geraldo Garcia

      Obrigado.
      Eu também gostaria de poder ajudá-lo… mas se esse texto monstro com exemplos detalhados não ajudou, temo que não possa fazer mais nada.
      Abraços.

  • […] Aos fotógrafos e aspirantes que visitam meu blog, vou deixar minha contribuição para que não cometam o mesmo erro de muitos e saibam valorizar o próprio serviço e a nossa profissão. Leiam esse completíssimo material que o Geraldo Garcia preparou com todas as dicas para sabermos quanto cobrar, como e por quê.  http://blog.geraldogarcia.com/?p=139 […]

  • jacqueline pires

    Gostei muito desta matéria acho que nos ajuda muito com tudo que é citado!
    Teria como vc tbm me enviar esta planilha por favor agradeceria muito,estou começando a profissão que sempre sonhei de fotografa quero ser justa com os clientes ,com meus amigos fotografos e comigo mesma…quero começar acertando,um super abraço!

    grata!!!

  • […] This post was mentioned on Twitter by Daniel Martins, Ykythus, imagemimpressa, Daniela Bado, Geraldo Garcia and others. Geraldo Garcia said: Não custa lembrar! Artigo:Como cobrar por serviços fotográficos http://bit.ly/fpD6s6 […]

  • Ola Geraldo, acabo de conhecer o seu blog e adorei. PARABÉNS!!

    Venho da área de engenharia e minha família tem empresa até hoje nesta área, este problema é inerente a todo o mercado.

    A condição social aos “velhos” fotógrafos e a inexperiência dos jovens.

    Parabéns pelo post,

    grande abraço

  • […] O seguinte texto foi retirado do blog do fotógrafo Geraldo Garcia. Nele, o artigo é divido em 5 partes, discutindo todos os detalhes […]

  • Shimazaki

    Olá,eu também sou fotógrafo novato,fiz meu curso no Japão e voltei para o Brasil no ano passado,estou super perdido com valores,porque as pessoas querem o nosso trabalho de graça,se você puder me mandar formas de cobrança,saídas,etc…
    Seus comentários me ajudaram muito.

  • Maurício André

    Olá, Geraldo. Parabéns pelo assunto abordado e muito bem explicado.
    Esse tipo de pratica acontece sim em vários seguimento no mercado.
    No meu ramo de trabalho, design publicitário, eu chamo de “Prostituição de Mercado”. Novatos que chegam não tem a mesma despesa e não avaliam os valores cobrados causando tudo isso que você citou.
    Realmente, todos só tem a perder.
    Estou fotografando como hobby e bem entusiasmado para ingressar no ramo da fotografia profissional. Mas o que mais falo é que ainda não sei cobrar…
    Por isso estou indo com muita cautela e buscando informações.
    Gostaria de vê essa tabela para analisar, e ajustar se preciso para minha região.
    Um grande abraço e novamente, PARABÉNS !!!

    • Geraldo Garcia

      Maurício e todos os demais colegas que pedem a planilha,

      Como eu já disse no texto e repeti diversas vezes por aqui, a distribuição da planilha está encerrada. Eu não estou mais distribuindo a planilha, nem por aqui, nem por e-mail nem por qualquer meio.
      Eu expliquei detalhadamente a metodologia de cálculo e acho que é extremamente positivo e enriquecedor que cada um faça a sua, adequada às suas necessidades.

      Abraços.

  • Michel Caetano

    …”Eu te pago R$1.000,00 e a gente fecha. Que tal?” E o profissional, no desespero, acaba fechando por um valor que mal cobre seus custos fixos. Nessa situação quem saiu perdendo? TODOS!”…

    Na minha modesta opinião, o “PROFISSIONAL” com responsabilidade, seja ele, no início de carreira ou consagrado, não fecha orçamento no desepero, esta atitude é de AMADOR.
    Já aconteceu comigo, algumas vezes, de uma pessoa perguntar o preço e falar: …mas eu já vi em outro lugar e faz por bem menos… Minha resposta é: Me desculpe, sou um profissional e por este preço eu não posso fazer.

    Leia mais na publicação original em: http://blog.geraldogarcia.com/index.php/2009/05/como-cobrar-por-servicos-fotograficos-introducao/#ixzz1NMvH7f5Q

  • Gostei bastante deste artigo, apesar dele ser apenas introdutório. Só preciso lhe corrigir em uma coisa: existe uma tabela que pode sim servir como base para diversos profissionais, a tabela da Arfoc. Não sei se ela é justa ou não e claro que precisa ser adaptada à rotina e à experiência do profissional (Isso é de cada um), mas acho que ajuda muito os que estão começando, como eu.

    Aguardo os outros capítulos

    • Geraldo Garcia

      Hahaha… Não aguarde!
      Esta é a introdução de um artigo em 5 partes que foi todo postado em maio de 2009. Siga os links:
      http://blog.geraldogarcia.com/?s=como+cobrar#axzz1N7TGLPjE
      A tabela da Arfoc é específica para fotojornalismo com filosofia de “pautas” e “diárias”, sistema que não se aplica a muitas áreas da fotografia. O restante do artigo deve elucidar essa dúvida.
      Obrigado e abraços.

  • Pedro

    Olha, se os CLIENTES estão ACEITANDO pagar 300 reais por um trabalho de um novato é porque eles acreditam que o preço cobrado pelo serviço é vantajoso para eles, logo, é obvio que o único que sai ganhando é o consumidor que terá opções maiores que mais facilmente se adequarão a suas preferências.
    Além disso, se para o consumidor é importante um produto de qualidade, ele estará disposto a pagar um valor maior, e é nesses clientes que vocês, na minha opinião, deveriam focar. Você pode argumentar que são poucos que se enquadram nesse perfil, mas com todo o respeito, e daí?

    Se o produto esperado pelo cliente que contrata amador não for tão bom quanto o esperado pelo custo, obviamente na próxima vez ele contratará um profissional, mas isso é apenas questão de tempo. Agora, se os clientes ficam satisfeitos com o serviço prestado, infelizmente não adianta educar ou informar, porque o mercado não tem “barreiras a entrada” de novos ofertantes, e portanto, deverá sempre haver novas pessoas entrando, como você mesmo disse.

  • Excelente análise! Muito construtiva também na argumentação Geraldo.
    Dou aulas no interior de São Paulo, na cidade de Sorocaba, e uma dúvida frequente dos alunos é: “que valor eu cobro para fotografar uma pessoa?” “E um produto?” “Quanto custa minha foto?”
    Vejo que o erro é também o de confundir o conceito de valor de serviço X valor de produto. Explico com uma conversa que tive com uma aluna.
    Perguntei a ela quanto ela paga em uma tintura para cabelo? Ela respondeu prontamente que R$ 15.
    Então perguntei a ela quanto custa um corte de cabelo? E ela respondeu “depende”.
    E quando perguntei por que era relativo o valor do corte, ela respondeu que dependendo do salão, do corte ou tratamento a fazer no cabelo e também da qualidade do profissioanal, o valor poderia mudar.
    Portanto, nesse exercício de diferenciação entre serviço e produto, podemos ver que o valor de uma foto de produto (still) depende, a foto de uma pessoa também depende, e finalmente, a foto de um profissional não tem valor fixo como a de um produto e sim variável.
    E aí seguiria por toda sua argumentação acima, pois é fato também que, se sua receita não cobre seus custos, de duas uma, ou o fotógrafo sai do mercado, ou ele tem outra fonte de renda que não a fotografia.
    Só quem é profissional e se dedica a isso com bom senso, sabe o valor do seu equipamento, do estúdio, do assitente, de seu computador e da necessidade da atualização e manutenção de seu equipamento.
    E dentro disso assumo também minha meia culpa, pois por vezes me enquadro no tópico em que você comenta que o profissional abaixa seu valor para não perder o serviço para quem cobra um valor irrisório. Na contra propósta do cliente e na análise dos meus gastos do mês é que acabo por ceder.
    Todos tem suas razões, mas só educação e debate podem construir uma ponte para um futoro mais justo (para iniciantes, intermediários e profissionais experientes). E por falar em justo, um ponto que poderia ajudar ao valor final do profissional é o debate aos excessivos impostos, tantos dos equipamentos, tanto para o pequeno e médio empresário. 40% dos valores de equipamento no Brasil são impostos.
    Muito bom a chance de debater. Obrigado.

  • Sandra Castro Alves

    Muito bom seu comentário Geraldo, quando eu faço um orçamento e coloco meus custos as pessoas acham “caro”, mas não pensam no preço do equipamento (que eu estou investindo), no desgaste do mesmo, na minha hora, nos gastos fixos que eu tenho, nos cursos que eu investí, no transporte, na edição de imagens, tem que computar tudo isso e mais ainda quem tem Estúdio que tem todos os gastos fixos, como luz, água, condomínio e por aí vai e lógico o meu lucro tb, se o profissional não colocar todos os custos que ele tem na ponta do lápis ele vai pagar para trabalhar, e, claro sempre os que cobram perdem para aqueles que não pensam e acabam pagando para trabalhar!!!

  • Paulo

    Achei sensacional o artigo. Trabalhei muito tempo como assistente e sempre fui mau pago. Hoje tenho minha empresa, sou um profissional reconhecido e procuro pagar muito bem minha equipe.
    Isso é muito importante tambêm.

    Abraço e obrigado pelas dicas.

  • […] Como Cobrar por Serviços Fotográficos  […]

  • Caro Geraldo, parabéns pelo artigo. Construir orçamentos na fotografia é sempre uma pedreira,é uma dificuldade que aflige boa parte dos fotógrafos brasileiros. É certo que as diferenças regionais fazem diferença no orçamento final – vim de São Paulo para João Pessoa -, mas é fundamental incluir toda essa gama de intens que você elencou para que o fotógrafo profissional sobreviva.
    Estou indicando teu texto para meus alunos de fotografia.
    Saudações,
    Paulo Rossi

  • Gerson

    Carol e Cláudia, sejam justas. Até parece que nunca fizeram algo sem motivação. Entendi perfeitamente o que o artigo quis passar e não sei por que as duas estão se doendo nesse ponto final. Todo profissional é profissional, mas uma hora ou outra ou por alguma razão ele não se encontra muito bom em um dia e pronto: mais uma desmotivação e ele faz as coisas de qualçquer maneira. ISSO ACONTECE EM QUALQUER ÁREA, COM QUALQUER UM. Então pára de dar uma de perfeita e sejam justas consigo mesmas…

  • Guida Felipe

    Geraldo Garcia
    Agradeço-lhe a generosidade em compartilhar conosco, assunto tão interessante e de difícil entendimento.
    Nós fotógrafos, que começamos agora, vivenciamos situações muito parecidas., e é muito bom, quando
    alguém se disponibiliza no esclarecimento destas questões, e abre discussão, onde a gente também possa aprender com os outros profissionais.

    Muito obrigada,
    Guida Felipe

  • Muuuuuuuito obrigado por esse artigo eu sou novata e faço exatamente o que disse ou melhor fazia adorei

    Ele também não sabe que as horas de manipulação PRECISAM ser cobradas.

    Perfeito!!!

  • Sou fotógrafo e professor na faculdade onde ministro aulas para a turma de publicidade e gostaria de deixar meu comentário.
    Não é de hoje que a categoria sofre com os valores cobrados pelos serviços fotográficos para foto jornalismo, social e publicitária, além de ser vergonhoso estão quebrando os profissionais que tem como único sustento a profissão de fotografia. Hoje tem vários cursos de fotografia sendo oferecidos por fotógrafos experientes. Se todos acrescentarem no seu plano de aula esse tópico com certeza aos poucos esse quadro poderá mudar, passem para os alunos o link do Geraldo, site como do Sindicato dos Jornalistas ( http://www.sjsp.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=144&Itemid=54 ) assim eles terão uma idéia real de valor e não tenham medo de cobrar.

  • Boa tarde Geraldo,
    Após ler os comentários e observar a forma como vc replica, observo o seu bom senso e equilíbrio, não sei se devo me considerar um novato ou veterano; mas tenho certeza da minha paixão por esse veiculo de comunicação.
    Sou um cidadão com poucas posses e como tenho uma relação e amor com a fotografia procuro sempre fazer o melhor que posso independente do preço que pratico; ainda no inicio deste ano fui convidado para cobrir um festival de dança e me ofereceram, pasme. R$ 300,00 para fotografar e filmar por dois dias, precisava do dinheiro, mas achei prudente não descer a esse nível; acho que cada um deve se posicionar de acordo com as suas concepções, já que é uma tarefa impossível essa de educar todos os fotógrafos. Cada um deve se valorizar e buscar sua clientela. Mantenha contato preciso ser educado… facebook Alberto Lima

  • Juliana

    Boa Noite Queria parabenizar pelo site .. ajuda bastante, tenho 19 anos e vou começar a fazer um curso de fotografia, sempre gostei muito dessa área e tenho uma base mais ou menos .
    Vou seguir seu conselho de preço, eu estava super em dúvida mais acho que você sim é um grande profissional. Minha ideia era seguir para eventos,books .
    Tem como você me passar algumas ideias ?
    Desde já obrigada !

  • Daniel

    Boa Noite Geraldo!
    Há tempos venho estimando e tabelando meus preços por aquela planilha do excel que vc criou. Agradeço muito.

    Bem, tenho meus preços mas agora estou direcionando meu serviço e com isso preciso sanar umas dúvidas.

    1. Depois que um equipamento passa o seu tempo de durabilidade, mas já se pagou com serviços e continua em uso, eu zero seu “Valor Pago R$” ou estendo a “Durabilidade”?

    2. Caso com exemplo: Irei fazer um ensaio externo, mas não irei usar todo o meu equipamento externamente, irei apenas usar 01 corpo, 01 lente, 01 tripé, 01 modificador de luz, 01 flash, 01 rebatedor, 02 cartões de memória e mais minha hora. Sei que mesmo assim o equipamento que não irei usar continuará depreciando, mas como calcular o valor desse conjunto de equipamentos usados no ensaio?

    Desde já agradeço. Aguardo sua resposta.

    • Geraldo Garcia

      Daniel,

      Existem três abordagens. Se seu equipamento já se depreciou completamente e se você já recolheu todo o valor de depreciação dele então você pode:

      A) Vendê-lo, apurar 100% do valor como lucro e comprar outro equipamento zero com o valor da depreciação que você juntou durante estes anos (aproveitando o lucro para dar um upgrade).
      B) Continuar usando ele sem cobrar a depreciação e, com isso, reduzir seu preço. (Não recomendo essa abordagem, mas é possível.)
      C) Continuar usando ele e continuar cobrando pela depreciação e juntar essa grana para um upgrade maior no futuro.

      Eu usaria as abordagens A ou C. Apesar do valor da depreciação ser tecnicamente a desvalorização do seu equipamento atual, pense nele de outra forma, como sendo uma poupança para sua próxima troca de equipamento. O seu equipamento deprecia sendo usado ou não, então você deve sempre pensar na depreciação de tudo e não apenas do que você for usar.

      Abraços.

  • allan

    Olá Geraldo,em primeiro lugar quero parabeniza-lo pela iniciativa do seu trabalho e também pela generosidade e sencibilidade por ter abordado de forma ampla e sem exclusão esta problemática .Eu faço parte do grupo de pessoas,que por gosto e admiração e necessidade por recolocação no mercado de trabalho,buscam no ramo da fotografia a sua nova sobrevivência.Eu Gostaria de saber como faço para trabalhar com algum profissional na esperança de aprender ,já que hoje encontro-me desempregado e os cursos desta area são muito caros.
    obrigado.

  • Maycon Macario

    Olá Geraldo,
    Primeiramente, você está de parabéns pelo seu trabalho e por esse artigo. Digo ainda que fotografar não é só uma profissão usada como “bico” para alguns, fotografar é uma ARTE. Bons fotógrafos pra mim são artistas…
    Eu adoro fotografar, pena que não comecei antes e só agora percebi o quanto é bom e quanta satisfação sinto nisso. Estou tentando ao máximo pe aperfeiçoar e quem sabe um dia me tornar om fotógrafo com trabalhos reconhecido por quem realmente aprecia essa arte, porém não tenho interesse em deixar minha atual profissão, eu fotografo por prazer.
    Já sobre a questão valor do serviço, acho que fotógrafos amadores ou iniciantes como os citados no seu texo não podem cobrar o valor de um serviço profissional realmente, desde que ficasse claro para quem o está contratando que seu serviço não é profissional. Aí caberia ao cliente escolher, em função do custo benefício, se quer um trabalho profissionalou amador.

    Grande abraço e obrigado por ampliar meus conhecimentos.

  • Concordo perfeitamente com tudo o que disse, sempre fico horrorizada com iniciantes que façam esse tipo de coisa, pior ainda são aqueles que não sabem nada de fotografia e só porque tem uma camera boa acha q pode sair porai cobrando como se fosse algum profissional..absurdo..
    Enfim parabéns pelos posts, adorei achar um debate nesse assunto.

  • Dulce Mafra

    Quanto cobrar por uma fotografia ou ensaio fotográfico??? Questão difícil esta. E pior que cobrar mal é divulgar em sites de compras coletivas valores irrisórios por algo que muitas vezes não tem preço…

  • Alex Sandro

    Belo artigo amigo, vou tomar a liberdade e postar em meu face posso?
    Sou novato e acredito que todos podemos ser valorizados por igual…

  • Nathalia

    Preciso muito de ajuda em relação a começar meu trabalho, já tem um ano que fotografo por conta, com minha câmera comprada com o resultado do meu trabalho (estágio), e queria saber específicamente,
    1-como começar? ( Exemplo redes sociais ou cartão de visita)
    2- Não tenho meu próprio stúdio como gostaria:
    a)Não sei como negociar com o suposto “cliente”
    b)Pensei então em fotografar em lugares públicos
    2-Divulgação: Não sei como fazer para que as pessoas me procurem para fotografar
    3-Preços: Mesmo eu não tendo meu stúdio, e fazendo meu trabalho digamos “autonomo”, não sei como cobrar, o quanto cobrar, como disse, sou “novata” eu quero ter noção de fazer um preço aproximadamente certo, mas também não muito caro, pois não tenho experiencia para cobrar tanto.

  • Cleusa de Oliveira

    Gostei. Muito obrigada por compartilhar

  • Queria saber qual maquina fotografica é boa e simples para começar, pensei em fazer um curso mas oque eu achei é caro e não quero virar uma profissional, quero apenas fotografar por hobbie,

  • Dieter

    OI,

    Me contataram para fazer um trabalho e não sei bem o que cobrar, Lei e fez vários orçamentos. falamos de 12fotos em 11 municípios da minha região. A revista e regional e de pequeno porte (bom se vende até Vitoria).Meu material é velho (d90 com filtro e pé) porem posso com isso já fazer algo bom.
    Como sou estrangeiro (8messes no Brasil), é difícil de ter a informação adequada. Gostaria de ter informação de pessoa professional nesse domínio para não sub nem sobre-cobrar e não desvalorizar o trabalho de fotografo.

    Querem um orçamento. com o modelo chego a um 40000r que me parece “absurdo” porem com um método mas simples 15000r que me parece mas”justo”. Disculpa para as palavras forte…. De novo, sou estrangeiro e é o primeiro trabalho na fotografia. Obrigado pelo conselho

  • Raquel Silva

    Olá fui chamada para fotografar um evento de Beleza, com duração de 10hs, só que não sei quanto cobrar, gostaria que me ajudasse.
    E se puder me ajudar com uma tabela de preços para iniciantes, ficaria grata!!!
    # Fotos em estudio
    # fotos para eventos
    # ensaio de fotos em estudio + book com 4 fotos 15*21 e 8 fotos 10*15
    Obrigada pela ajuda

  • Fernando

    Geraldo meus parabéns por sua intenção em ajudar a mudar esse mercado de fotografia. Eu luto nessa profissão e espero Deus uma mudança nesse mercado tão bom e que eu adoro. Eu sou fotógrafo profissional e tenho muita saudade da época dos filmes. Não desfazendo da tecnologia digital que é fantástica, mas me refiro ao valor de um profissional. Hoje os fotógrafos que chamo meia boca estão atrapalhando bastante. Com apenas uma máquina no automático e com certa coragem se dizem fotógrafos. Estudantes de fotografia, jornalismo, comunicação e por ai vai.. O cliente que procura esse tipo, eu chamo de iludido. Iludido pelo meia boca. Torço para o meia boca declinar e o cliente dele se ….
    Tenho orgulho da minha profissão. E tenho vergonha do meia boca.

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