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Limpeza de sensores em câmeras DSLR

 
Texto original publicado em 24/03/2005 na comunidade “Câmeras DSLR Brasil” do Orkut
Texto revisado e complementado publicado em 07/10/2008
Nota da revisão: dando seqüência ao processo de revisão dos artigos antigos, condensando e incluindo respostas a dúvidas posteriores e atualizando textos e links.

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Platis Gialos, Mykonos - Poeira no sensor visível em f:8.0

Não adianta dizer que não. Não adianta fingir que o problema não existe. Cedo ou tarde você vai fazer uma foto em f:22 contra um fundo uniforme (o céu, por exemplo) e vai perceber alguns “pontos estranhos”. É poeira no seu sensor. Isso invariavelmente acontece com TODAS as DSLR. Seja Nikon, Canon, Sony… poeira não faz distinção.

“Porque isso acontece com as DSLR e não com as digitais “compactas”?”
Simples! As compactas são totalmente fechadas, a poeira não entra. Nas DSLR nós trocamos as objetivas, nesse momento entra ar com poeira na câmara do espelho. Quando colocamos a objetiva prendemos o ar com microscópicas partículas de poeira lá dentro. Essa poeira acaba se depositando nas paredes e no espelho. Ao fazermos uma foto o espelho levanta “abanando” a poeira, o obturador se abre expondo um sensor que está carregado eletricamente. Por atração eletrostática a poeira gruda no sensor e fica por lá. Quando que ela vai sair? Se você não tirar, NUNCA!

Mas aí alguns perguntam: “Porque nas SLR de filme isso não acontece?”
Acho que lendo o parágrafo anterior a resposta é clara. O filme não gera uma atração eletrostática, mesmo assim alguma poeira sempre gruda. Mas o filme anda. A pouca poeira que gruda naquele fotograma vai embora com ele, já o sensor fica e só vai acumulando cada vez mais.

Outra pergunta que as vezes surge é: “Porque poeira ou mesmo fungos ou riscos em uma objetiva não aparecem na foto e a poeira do sensor aparece?”
Simples, as partículas de poeira ou qualquer outra coisa nos elementos da objetiva estão muito próximas do centro ótico da objetiva, uma área onde o foco é impossível fazendo com que coisas tão pequenas simplesmente desapareçam. Já a poeira no sensor está exatamente no plano de foco e como os foto-sensores são microscópicos, uma partícula acaba tapando alguns.

“Mas e o sistema de autolimpeza de algumas câmeras, isso não resolve?”
Ajuda, mas não resolve. De algum tempo para cá praticamente todas as novas câmeras estão sendo lançadas com um sistema de autolimpeza onde o filtro “low-pass” que fica na frente do sensor é revestido de uma camada antiaderente e vibra intensamente durante alguns segundos quando a câmera é ligada/desligada para desgrudar grãos de poeira que cairiam em uma faixa de material adesivo no fundo da câmara. Mas isso funciona? Em parte sim e em umas câmeras mais que em outras, mas em nenhuma esse sistema impede totalmente a aderência de poeira. Na melhor das hipóteses vai te deixar livre dos grãos gigantes e aumentar o espaço de tempo entre uma limpeza manual e outra.

Próximo passo: “Como eu descubro se meu sensor está com poeira?”
Faça uma foto DESFOCADA de um fundo UNIFORME (céu azul, folha de papel em branco, etc) em f22 ou na abertura mais fechada que você tiver. Vasculhe a foto no computador em zoom de 100%. Se quiser facilitar faça um “autolevels” no Photoshop, isso destaca mais a poeira.

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Levou um susto? Calma! Se tem poucos pontos pequenos dificilmente eles aparecerão em alguma foto. Mas alguns “pedregulhos” acabam incomodando. Algumas câmeras vem de fábrica já com bastante poeira no sensor.

“E como se limpa?”
Bom, primeiro vale lembrar que NENHUM fabricante recomenda que a limpeza de sensor seja feita pelo usuário. Na verdade eles avisam que esse processo anula a garantia da câmera. Mas… eles limpam pra você(!) e cobram… e demora… e fazem o mesmo processo… e muitas vezes fazem malfeito. Parece brincadeira mas é sério. Já li vários relatos de usuários no Brasil e nos EUA que mandaram a câmera para limpar o sensor e receberam de volta com mais poeira. Por isso acho que a única alternativa é o usuário se informar, pesquisar, se munir dos produtos certos e fazer a limpeza.

Se sua câmera possuir o recurso de limpeza automática, você pode aciona-lo algumas vezes e ver se melhorou. No geral, quando a poeira começa a incomodar e aparecer nas fotos é poque a limpeza automática já não está adiantando.

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O único método manual recomendado pelos fabricantes é pouco eficiente mas deve ser o primeiro a ser tentado: Limpar o sensor usando a bombinha de ar (melhor uma “bombona”). Não use “sopro” ou ar enlatado (como dust-off) líquidos podem espirrar no sensor e aí… Segue um “passo a passo”:

1 – Retire a objetiva.

2 – Se sua câmera possuir um “modo de limpeza manual” (todas as atuais possuem) ative-o pelo menu. Garanta que está usando uma bateria totalmente carregada. Isso irá levantar o espelho e abrir (e manter aberto) o obturador.

3 – Segure a câmera na sua frente, um pouco acima da sua cabeça, com a frente (e o sensor) virada para baixo (deixe a gravidade te ajudar no processo).

4 – Usando uma bombinha (alguns chamam de “fuc-fuc” ou “blower”) grande, aproxime a ponta da bombinha da câmara do espelho. Não enfie lá dentro para não encostar no espelho, nem no obturador caso a bateria acabe e eles fechem (isso bastaria para danifica-los).

5 – Bombeie jatos fortes de ar no sensor e nas laterais da câmara do espelho, faça umas 4 seqüências de 5 bombeadas com uns dois segundos de intervalo entre cada seqüência para deixar a poeira cair.

6 – Desligue a câmera, isso fará o obturador fechar e o espelho abaixar.

7 – Recoloque a objetiva, mas antes aproveite para dar uns jatos de ar no elemento traseiro para tirar qualquer poeira.

OBS – Consulte o manual da sua câmera se não souber ativar o modo de limpeza manual. Use uma bombinha SEM aqueles pelos de pincel na ponta.

Faça novamente o teste. Esse processo funciona quando a poeira não está “grudada”. Em locais com a atmosfera muito úmida a poeira tende a grudar mais, essa a bombinha não tira. Se isso bastou para o seu sensor, ótimo! Mas saiba que um dia não irá bastar e você terá de fazer um dos processos mais “violentos”.

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Os dois métodos seguintes são os únicos que funcionam MESMO, tudo mais que vocês encontrarem por aí ou é baboseira ou variações destes métodos.


SENSOR BRUSH
Uma companhia canadense chamada VisibleDust desenvolveu um método de limpeza fazendo uso de um pincel especial de nylon super fino com alta capacidade de carga eletrostática. Ele deve ser carregado estaticamente usando-se um jato de ar (pode ser da própria bombinha) e depois passe-o suavemente no sensor. As partículas de poeira grudam no pincel. Novo jato de ar no pincel para limpar e carregar e mais uma passada.

Recentemente a VisibleDust lançou outros modelos de pincel, inclusive um rotativo que dispensa o jato de ar para carregar eletrostaticamente. Também lançou outras substâncias para “limpeza molhada” que será tratada no próximo tópico.

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Prós:  Funciona em 95% dos casos, é pouco intrusivo, impossível de causar algum problema. Não se gasta mais nada e dura “para sempre”.

Contras: Não é fácil de encontrar em lojas no Brasil (mas o fabricante manda e algumas pessoas importam). É o pincel mais caro do mundo (um kit pequeno sai por quase 100 dólares). Alguns (raros) grãos de poeira grudam MESMO no sensor, esses o pincel não tira.

Fabricante: www.visibledust.com
Onde comprar no Brasil: www.fotoworld.com.br


COPPER HILL METHOD
É o “método molhado” original, o mesmo usado pelos fabricantes em suas oficinas (mas eles fazem malfeito). Nesse método o usuário faz uso de pedaços de tecido especial (que não soltam fibras e não arranham) chamados “pecpads” presos na ponta de uma haste ou espátula flexível. O produto pronto é comercializado sob o nome de “Sensor Swabs”, mas muitos usuários fazem os seus. Pinga-se duas gotas de “Eclipse” (uma solução especial de metanol) no pecpad e passa-se no sensor num movimento contínuo, sem forçar. Não se pinga o Eclipse no sensor, somente no pecpad. O Eclipse evapora tão rápido que você nem consegue vê-lo no sensor. Na verdade o que estamos limpando não é exatamente o sensor, mas o filtro “lowpass” que fica sobre ele.

Faça duas passadas, uma para um lado e outra para o outro, garantindo usar os lados diferentes da espátula/SensorSwab.

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Faça uma nova foto de teste e, se necessário, nova limpeza com uma nova espátula/SensorSwab. É comum termos que fazer 2 ou 3 limpezas seguidas.

Recentemente o fabricante do Eclipse lançou uma variação do produto chamado E2 que alega ser próprio para os novos modelos de câmeras nos quais o Eclipse original poderia causar algum dano no revestimento. Outros fabricantes lançaram suas versões de soluções e espátulas, inclusive a VisibleDust.

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Prós: Esse método remove 100% da poeira, mesmo os grãos mais grudados. Existem algumas lojas que vendem esse material no Brasil, a maioria em São Paulo, mas mandam para todo o Brasil.

Contras: É um método extremamente intrusivo, envolve líquidos e “esfregar” o sensor. Se você não tiver um mínimo de habilidade manual, delicadeza e bom senso, PENSE BEM antes de tentar. O Eclipse é tóxico e volátil, manuseie com cuidado.

A própria VisibleDust (do Sensor Brush) comercializa uma versão destes produtos chamada de “Sensor Clean”.

Lojas que vendem no Brasil:
Eclipse, Pec-pads e Sensor Swabs: www.casadorestaurador.com.br é bom ver o telefone e ligar para lá, no site não consta.
Pec-Pads e produtos de limpeza molhada da VisibleDust: www.fotoworld.com.br


Alguns links (em inglês) com mais informações:
http://www.copperhillimages.com/index.php?pr=Tutorials
http://www.luminous-landscape.com/reviews/visible-dust.shtml
http://www.robgalbraith.com/bins/content_page.asp?cid=7-6460-7296


Últimas observações:

1) Se você vê a poeira ou fiapos olhando pelo “viewfinder” ela não está no sensor da sua câmera, provavelmente está no espelho ou na “focus screen” logo acima deste. Umas jateadas de ar neles com a bombinha devem resolver.
2) O sensor capta a imagem de cabeça para baixo e invertida da esquerda para a direita. Logo, o grão de poeira que aparece no canto superior esquerdo da sua foto (por exemplo) na verdade está no canto inferior direito do sensor.
3) Não tente retitar 100% da poeira, é impossível. Se conseguiu tirar todos os pontos que aparecem antes do “autolevels” já está bom.
4) Se não está sujo, NÃO LIMPE!

 
Bom… Por hoje é só!
Abraços.

77 comments to Limpeza de sensores em câmeras DSLR

  • Abubacar Abdul Latif

    Dicas muito úteis. Bem haja. Um abraço. LATIF

  • jandira nascimento

    Obrigada pelas informações de limpeza. Minha Canon rebel xs ,ao revelar as fotos ,aparecem ums coisas feito raiz. sera q com a limpeza q vc ensinou vou conseguir melhorar as fotos?

    • WIlliam Freire de Souza e Silva

      Minha 350d tbm tem essa formação, é fungo e provavelmente está entre o sensor e filtro. Será necessário desmontar a câmera para limpeza, mas o fungo nunca some permanentemente. A Canon não recomenda uso de nenhum produto, apenas limpeza a seco, mas ja ouvi falar muito em “Eclipse”.

  • João

    Ótimo post Geraldo ! Após ter limpado algumas vezes o sensor da minha D300, acabei relaxando, e a última limpeza foi com um cotonete seco mesmo. Não sei se é gravíssimo usar cotonete, mas deu conta…

  • Paulo Roberto Cunha

    Tenho uma D90 Nikon com uma lente 18-200 mm
    nunca fiz uma limpeza adequada e suas dicas são excelentes e vou segui-las.
    gostaria , se possivel ,que vc me indicasse um local confiável para que eu pudesse
    mandar fazer uma boa limpeza no meu material. Uso o meu material frequentemente no
    litoral e gostaria de uma limpeza profissional .
    Grato por sua atenção
    Paulo

  • Eduardo Lima

    Boas Dicas!! neste post tirei minhas duvidas comprei faz um mes minha primeira DSLR uma nikon D600 estive pesquisando em alguns site sobre poeira no sensor …fiquei mto preoculpado mas vi neste post que esse problema acontece com TODAS as DSLR. Seja Nikon, Canon, Sony e me senti mto aliviado é uma camera cara e achei que fosse so da nikon..obg Geraldo garcia pela ajuda.

  • Andreia

    Muito bom post! Tenho uma Canon T2i e fiquei aliviada ao saber q a mancha cinza escuro q apareceu na foto é o sensor sujo… Vou providenciar uma bombinha dessa para ver se dar jeito. Obrigada! :)

  • “O Eclipse é tóxico e volátil, manuseie com cuidado.”

    Esqueceu de falar que é altamente inflamável.

    Estou tentando limpar a minha D90. Consegui dividir o grão de sujeira em 2 pedaços, e o maior deles saiu, só com a bomba de ar. Não tenho o equipamento para tentar os outros.

    Tenho cotonete comum, de boa qualidade, mas duvido que seja de qualidade suficiente.

  • Aparecida Amorim

    Boa noite tenho uma Nikon D-5000 ,o fleche as vezes dispara, e tambem para fazer limpeza das lentes outra vezes não dispara, mandei para a um tecnico e ele esta mim cobrando um valor muito alto, gostaria de saber qual o valor ideal para este tipo de serviço.

    Desde já agradeço,

    Aparecida Amorim

  • [...] Leia mais na publicação original em: http://blog.geraldogarcia.com/index.php/2009/04/limpeza-de-sensores-em-cameras-dslr/#ixzz1wGpzHBYA [...]

  • Ricardo capela

    Muito obrigado pelo post.

  • oi estou com o mesmo problema de ponto escuro no canto da tela e sai na foto, vcs me recomendam limpaze em autorizada,
    vc tem noção de valores.
    moro em sc blumenau

  • Junior

    Geraldo, o meu problema é o mesmo relatado acima pelo internauta Ricardo Wolf, mas infelizmente a pergunta não foi respondida. Resolvi repetir a pergunta para ver se você pode me ajudar nesse problema:

    “Tenho um Canon T3i e utilizo tanto para filmar como fotografar. As manchas aparecem somente nas filmagens. As fotos ficam normais.”

    obrigado.

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