Disparadores remotos de flash


Texto original publicado em 23/11/2006 na comunidade “Câmeras DSLR Brasil” do Orkut
Texto revisado e complementado publicado em 18/04/2009

Psyncrose
"Psyncrose"

Uma das coisas mais amaldiçoadas por fotógrafos no mundo todo é o infame cabo de sincronismo usado para conectar a câmera aos flashes. Ele atrapalha a movimentação, causa acidente e prejuízos e, pior de tudo, é pouco confiável, pois rapidamente fica com contatos frouxos e faz com que você perca fotos de momentos críticos.

Como esse problema é antigo, as tentativas de solucioná-lo também são. A mais comum é a fotocélula, um sensor que dispara o flash quando detecta o disparo de outro. Tão simples e eficiente que já vem embutida em todos os flashes e geradores de estúdio e em muitos flashes de sapata. O problema é que algum flash tem que ser disparado para ativar a fotocélula… e como disparamos esse primeiro flash? Os flashes embutidos das câmeras não são uma boa opção, em primeiro lugar, porque muitas câmeras não possuem flashes embutidos e, ademais, eles costumam ser exclusivamente “TTL” e a fotocélula acaba falhando por conta do pré-flash. Isso sem contar que alterariam a iluminação da cena.  

Em resumo, para quem quer se ver livre do maldito cabo de sincro as únicas opções viáveis são os disparadores remotos por rádio. Esses funcionam assim: Uma unidade transmissora é acoplada na sapata (hot shoe) da câmera. Uma (ou mais) unidades receptoras são acopladas aos flashes por meio de plugs próprios ou por pequenos cabos de sincro (pode-se usar apenas um receptor e disparar os demais flashes pelas fotocélulas). Quando você dispara a câmera, a unidade transmissora manda um sinal de rádio que faz com que as unidades receptoras disparem os flashes. Obviamente essas unidades são alimentadas por pilhas, baterias ou cabos de força.

Tudo funciona maravilhosamente: sem fios para se tropeçar, dar mau contato, etc. Mas como nem tudo pode ser perfeito, esses sistemas possuem suas limitações e normalmente custam caro. Vou listar abaixo as principais opções dentre esses equipamentos e suas vantagens/desvantagens.

Vale ressaltar que todos esses sistemas, salvo menção em contrário, só trabalham em modo de flash manual, como um cabo de sincro comum. Alguns novos modelos trabalham em TTL com flashes de sapata compatíveis, mas falarei destes separadamente no final. 

Opções de disparadores remotos para qualquer tipo de flash em modo manual:


Radioflash (Nacional)
http://www.radioflash.com.br/radioflash-large
Uma boa opção. Trabalhei muito com essas unidades e são bastante confiáveis. O transmissor é acoplado na sapata de flash da câmera e os receptores são ligados aos flashes por meio de pequenos cabos de sincro. Servem tanto para flashes de estúdio como para flashes de sapata usados remotamente (conectados ao receptor por cabinhos de sincro ou por adaptadores, caso o flash não tenha entrada para cabo). Alcance máximo: 30m

Vantagens:
1- Bastante confiáveis.
2- Fabricação nacional e (obviamente) assistência técnica no Brasil.
3- Possuem 4 canais (freqüências distintas) que podem ser usados um de cada vez ou em qualquer combinação até com os 4 canais simultaneamente. Isso permite que você acople, por exemplo, 4 receptores em 4 flashes distintos, um em cada canal e controle no transmissor qual combinação de flash será usada em cada foto. 

Desvantagens:
1- Preço (custam por volta de R$600,00 o conjunto com o transmissor e um receptor, cada receptor extra sai por uns R$300,00).
2- São unidades relativamente grandes e “trambolhentas”, o transmissor não é menor que um flash de sapata pequeno.
3- Maior velocidade de sincro garantida de 1/125s (mas existem relatos de usuários que conseguiram velocidades maiores).

 
Pocket Wizard
(importado) – http://www.pocketwizard.com/ pw-p-tra_lbox
pw-multia_lboxSem dúvida o mais completo, versátil e bem feito do mercado. Obviamente o mais caro. Possuem 4 linhas de produtos. Falarei aqui sobre os dois modelos para flash manual, o “Plus II” (mais simples) e o “Multimax” (mais avançado). Os dois modelos novos que trabalham com TTL serão abordados mais abaixo. As unidades transmissoras e receptoras são as mesmas o que permite interessantes combinações, inclusive disparar a câmera e os flashes por uma terceira unidade que fica na sua mão.

Os “Plus II” possuem 4 canais e trabalham exclusivamente em um deles. Os “Multimax” possuem mais canais e permitem a criação de grupos distintos, todos acionados pelo transmissor, de forma parecida com o que o “radioflash” faz, controlando qual grupo de flashes será usado. Alcance máximo: 488m

Vantagens:
1- Durável.
2- Versátil.
3- Vários canais com combinações (dependendo do modelo).
4- Maior raio de alcance.
5- Velocidade de sincro garantida até 1/500s.
6- Assistência técnica no Brasil pelo “T. Tanaka” (não significa que dêem garantia a produtos comprados no exterior).

Desvantagens:
1- Preço!!! (na B&H um conjunto com duas unidades do “Plus II” sai por US$ 320,00 e duas unidades do “Multimax” sai por US$ 560,00 nos EUA, sem incluir frete e impostos).
2- Não é menor que o radioflash e a antena em cima da câmera pode furar o seu olho!!! hehehe…

Obrigado ao Ignácio Aronovich pela informação sobre a assistência técnica.

MicroSync Digital (importado) – http://www.microsyncdigital.com/ microsync
Bem pequeno! Possivelmente o menor. Possui 4 canais de transmissão mas, diferentemente do RadioFlash e do PockerWizard Multimax, você escolhe um canal por vez para trabalhar, não pode usar 2, 3 ou os 4 canais ao mesmo tempo. Coloque todos os receptores (caso use mais de um) na mesma freqüência e pronto. As opções de outros canais servem só para evitar interferências. Alcance máximo: 30m.

Vantagens:
1- Pequeno e leve.
2- Receptor já vêm com plugue para flash, não requer cabos para usar flashes de estúdio, mas aceita conexão por cabo para outros padrões de pinagem.
3- Bem confiável.

Desvantagens:
1- Preço (na B&H um par de 1 transmissor e 1 receptor custa US$150,00 sem impostos e frete).
2- Máxima velocidade de sincro em 1/180s.
3- Controle de freqüência difícil de operar.
4- Não possuem assistência técnica no Brasil.

 
“Mako” DigiTrigger – (nacional/importado) – http://www.mako.com.br/009/Radios_Flash.html
rs_digitrigger-2_mEstão na segunda versão, que aparenta ser melhor que à primeira. Minha experiência com a primeira versão não foi das melhores.
Até onde sei a Mako não fabrica, apenas importa e revende esses equipamentos.
Existem modelos de 4 e 8 canais (que também não podem ser usados ao mesmo tempo, apenas um canal por vez). São interessantes e pequenos, embora tenham o alcance muito curto, 15m apenas.

Uma característica curiosa é que o receptor detecta e sintoniza automaticamente a freqüência do transmissor. Me pergunto o que vai acontecer caso dois fotógrafos estejam na mesma área usando transmissores em freqüências diferentes, o que é justamente o principal motivo de termos mais de uma opção de freqüência. Como será que os receptores se comportarão?

Vantagens:
1- Relativamente pequeno e leve.
2- Vários modelos, com receptores tanto funcionando por bateria quanto por cabo de força.
3- Garantia no Brasil.

Desvantagens:
1- Construção relativamente fraca.
2- Preço, principalmente considerando a construção fraca (um par de transmissor e receptor custa por volta de R$400,00 dependendo do modelo).
3- Velocidade de sincro de 1/125s.
4- Alcance curto

 abcst1
Alien Bees CyberSync – (importado) – http://www.alienbees.com/cybersync.html#cst
Tradicional fabricante de flashes de estúdio alternativos e baratos nos EUA (mas muito bons), Paul C. Buff lançou uma linha de disparadores de flash (não proprietários, servem em qualquer um). Unidades pequenas e confiáveis. Várias opções de receptor (bateria ou cabo de força). Um par custa em média US$ 130,00 nos EUA (sem frete e impostos).

Vantagens:
1- Pequeno e leve.
2- Confiável.
3- Dois modelos de receptores tanto funcionando por bateria quanto por cabo de força.

Desvantagens:
1- Máxima velocidade de sincro garantida em 1/200s.
2- Não possuem assistência técnica no Brasil.

 
Cactus triggerV4http://www.gadgetinfinity.com/cactusv4
O atual campeão dos disparadores baratos do extremo oriente. Possui 16 canais que não podem ser usados ao mesmo tempo (isso ainda é exclusividade dos Radioflash e dos Pocket Wizard Multimax). Alcance máximo: 30m (20m comprovado em teste).

Vantagens:
1 – Pequeno e leve, tanto o transmissor quanto os receptores (o transmissor e do tamanho de uma caixa de fósforos e o receptor é pouco maior e mais largo.
2 – O receptor tem saída para cabo de sincro para ligar nos flashes de estúdio e uma sapata para se acoplar diretamente um flash de sapata, eliminando a necessidade de outros cabos ou adaptadores.
3- Para quem vai usar flashes de sapata remotamente, o receptor possui na base um pé no formato dos pés de flash para encaixar em sapatas mortas. No meio desse pé também tem uma rosca para tripé de câmera.
4- PREÇO, PREÇO & PREÇO!!! Olhem só: Um conjunto de um transmissor, um receptor e cabinhos de sincro custa US$40,00 (isso mesmo!), + US$10,00 para mandarem para o Brasil e + US$30,00 de imposto (60% do total mercadoria + frete). Total US$ 80,00 se a receita taxar ou US$ 50,00 se passar sem taxas (acontece bastante). Imbatível! O receptor avulso custa US$ 24,00. Chega no Brasil entre 8 e 30 dias.
5 – Velocidade máxima de sincronismo de 1/250s (comprovada).
6 – Trabalha com praticamente qualquer voltagem de disparo de flash, tanto com os de voltagem baixa quanto com os de alta.

Desvantagens:
1 – A construção não é “top quality” mas não chega a ser “descartável”.
2 – Não tem assistência técnica no Brasil.

OBS 1: Os primeiros lotes desse produto venderam rapidamente e foram muito elogiados pelos usuários. Parece que os lotes seguintes foram feitos na correria e com um controle de qualidade menor, o que resultou em um índice de defeitos maior. Continuarei acompanhando a situação e atualizo o “post” quando tiver novas informações.

OBS 2: Realizei um teste detalhado dos Cactus V4 que será postado em breve.

Existem outras opções no exterior, mas acabam sendo equivalentes em preço e em desempenho aos já citados. Dentre os disparadores baratos os Catus V4 são os campeões, enquanto os Pocket Wizard mantêm o título de mais confiáveis e com melhor alcance. Os RadioFlash nacionais merecem uma menção honrosa por serem os únicos com opção de combinação de canais e garantia no Brasil a um preço não muito absurdo.  

 
Opções dedicadas:
Alguns fabricantes de flash de estúdio estão lançando opções dedicadas, para uso exclusivo com seus flashes, que permitem não só o controle do disparo de vários flashes em canais diferentes, mas  até variação de potência de cada um separadamente, tudo a partir do transmissor montado na câmera. Exemplos:

“Air” da Profoto: http://www.profoto.com/products/profoto/accessories/sync_and_remote_devices/air-remote/

“Cyber Commander” da Alienbees: http://alienbees.com/newproducts.html


Opções TTL:
As primeiras opções para controle TTL de flashes de sapata remotamente vieram dos próprios fabricantes, Canon e Nikon. Na Nikon o sistema já é incorporado em praticamente todas as câmeras e a comunicação dos dados TTL entre a câmera e o flash remoto é feita por pulsos de luz do flash embutido (ou de sapata montado na câmera). Na Canon o sistema é similar, mas depende obrigatoriamente de um flash de sapata compatível montado na câmera para atuar como “mestre” (ou uma unidade de controle ST-E2 que faz a mesma coisa sem ser um flash).

Em ambos os sistemas os dados TTL são enviados por pulsos de luz dos flashes imediatamente antes do disparo. Isso implica em limitações no raio de funcionamento e necessidade de visada entre os flashes, já que eles precisam ver a luz um do outro para que possam “conversar” e ajustar as potências. Essa limitação sempre desagradou os usuários que pretendem usar os flashes de forma criativa, impedindo que fossem usados no sol, colocados depois de esquinas, atrás de paredes, etc.

Recentemente uma empresa americana chamada “RadioPopper” inventou um equipamento que fica montado no flash “mestre” e transforma os pulsos de luz dos dados TTL em sinal de rádio. Outro equipamento montado nos flashes escravos faz o inverso, captando os sinais de rádio e transformando-os em sinais de luz para que o flash entenda. Funciona maravilhosamente e foi um sucesso de vendas, mas vale lembrar que ainda depende de um flash “mestre” montado na câmera.
http://www.radiopopper.com/

Não querendo ficar para trás, a Pocket Wizard tratou de inventar os seus transmissores TTL, com o diferencial que não precisam do flash mestre montado na câmera (mas permitem). Estas unidades são capazes de controlar o sistema TTL por conta própria, não são simples retransmissores como os “RadioPoppers”. Por enquanto a Pocket Wizard só lançou modelos para sistema Canon, mas os modelos para Nikon estão previstos para os próximos meses.
http://www.pocketwizard.com/products/transmitter_receiver/flextt5%20canon/
http://www.pocketwizard.com/products/transmitter_receiver/minitt1%20canon/

Finalizando:
Esse é apenas um apanhado das principais opções que existem hoje no mercado para quem quer dar adeus ao cabo de syncro. Existem outras opções e regularmente aparecem novidades. Vou atualizar esse texto sempre que possível.

Se esse mercado cresceu tanto nos últimos anos foi, em grande parte, devido ao movimento “Strobist”. Para quem não conhece, vale conferir:
http://www.strobist.blogspot.com/

Abraços.

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