A melhor impressão possível

ICC Chart
Cores e mais cores - "Target" para geração de perfil ICC

O problema:

 

Todos querem uma impressão perfeita de seus trabalhos (fotos, ilustrações, etc.), mas será que isso existe? Será que é um “Santo Graal”, sempre procurado mas nunca alcançado?

 

Claro que “perfeita” é uma palavrinha miserável, pois o que é perfeito para um uso é inadequado para outros e o mundo é diverso. Mas nós aqui nesse blog somos fotógrafos/ilustradores/artistas e nossos problemas e nossas necessidades são semelhantes. Queremos:

  1. Alta resolução (definição), para detalhes e texturas sutis.
  2. Uma gama de cores enorme, com cores profundas e vibrantes.
  3. Fidelidade das cores com o original.
  4. Preto e Branco sem desvios de cor e com “cara de P&B”.
  5. Diversidade de papéis e outros substratos para impressão.
  6. Possibilidade de imprimir em tamanhos que variem de poucos centímetros a muitos metros.
  7. Tiragens sem restrição de quantidade, podendo fazer de uma impressão até quantas desejar.
  8. Durabilidade da impressão, pois de nada adianta uma linda impressão que desbote em pouco tempo. 

Pois é… não é de se admirar que a tal “impressão perfeita” seja tão difícil de se obter, nossas exigências (que são justas) acabam eliminando todas as opções. A título de exemplo vou me ater somente aos sistemas mais comumente utilizados por fotógrafos e demais artistas que precisam dar saída aos seus arquivos digitais. Vejamos: 

 

“Minilabs” fotográficos falham em quase todos os quesitos enumerados acima, possuem uma resolução razoável e não são restritos a tiragens grandes, mas falham em todo o resto. A baixa durabilidade das impressões (que desbotam depois de alguns anos), os papéis horrorosos, os desvios de cor e as limitações de tamanho impedem que essas impressões de minilab sejam consideradas  para trabalhos sérios ou arte. Não se esqueçam dos maravilhosos e bem treinados operadores!

 

Lambdas e Lightjets são como os minilabs, mas um pouco melhores. Fazem impressões sensibilizando papéis fotográficos com lasers e revelando-os. A resolução é boa, os operadores são (em geral) melhores, os tamanhos de impressão são maiores, mas o resto é a mesma coisa. Pouca opção de papel e a durabilidade baixa de uma ampliação colorida fotoquímica (c-print).  

 

Gráficas Offset podem ser a única opção se você precisa imprimir milhares de cópias, mas falham em quase todo o resto. A resolução é razoável/boa (no máximo), a gama de cores é muito pequena por conta das limitações do sistema offset CMYK e a fidelidade das cores acaba sendo comprometida por conta disso, existem opções de papel mas nenhuma é própria para arte. A durabilidade é baixa (desbotam em alguns anos) e só dá pra pensar em números de cópias múltiplos de mil.

 

Existem outros sistemas de impressão, mas esses listados acima sumarizam as opções que tínhamos até alguns anos atrás, ou devo dizer a “falta de opções”?  Felizmente a tecnologia avançou e estamos alguns (muitos) passos mais próximos de beber do mítico cálice  sagrado da impressão perfeita, pelo menos no sentido de algo que atenda aos quesitos enumerados no início do texto. O mais engraçado é que essa “nova” tecnologia é uma evolução derivada das impressoras jato de tinta, dessas como a que você deve ter em casa ou no escritório. Difícil de acreditar, né? Mas faz bastante sentido, vocês vão ver.

 

A alternativa:

 

O sistema de impressão por jato de tinta de alta definição e em grandes formatos tem sido chamado de “Giclée” justamente para evitar a confusão desse sistema com as impressoras domésticas. O princípio é o mesmo, a máquina “espirra” tinta num papel, mas as semelhanças acabam aí. Esse sistema próprio para reprodução de fotografias e arte está em um patamar completamente diferente, em todos os aspectos. Vamos ver em relação aos quesitos propostos:

  1. Altíssima resolução. Equipamentos que trabalham em 1200 e 1440 DPI, o que é excelente e gera ganhos mesmo quando trabalhamos a 300 PPI.
  2. Uma gama de cores enorme, com cores profundas e vibrantes. O “Color Gamut” de algumas das impressoras Fine Art mais recentes é enorme, muito superior aos outros métodos. 
  3. Fidelidade das cores com o original. Com a possibilidade de fazer o gerenciamento de cores da forma correta, do início ao fim, gerando perfis ICC para cada papel fica fácil garantir a fidelidade. 
  4. Preto e Branco sem desvios de cor e com “cara de P&B”. Em alguns equipamentos e com o devido “know-how” é possível fazer impressões P&B que ficam tão boas quanto (e até melhores) que as fotoquímicas tradicionais. Sim eu sei que esse “até melhores” vai gerar muita indignação, mas eu insisto. Vejam para crer.
  5. Diversidade de papéis e outros substratos para impressão. Essa é a característica “matadora”, na minha opinião. Poder trabalhar com papéis de fibra de algodão com diversas gramaturas, texturas e alvuras, papéis de aquarela, tela (canvas), tecidos… São dezenas e dezenas de opções. 
  6. Possibilidade de imprimir em tamanhos que variem de poucos centímetros a muitos metros. Algumas dessas impressoras possuem bocas de 1,12m e trabalham com mídias em rôlos, então praticamente tudo é possível.
  7. Tiragens sem restrição de quantidade, podendo fazer de uma impressão até quantas desejar. Uma, cinco, cinqüenta… e o mais importante: com a garantia de ter resultados idênticos mesmo imprimindo uma hoje e outra daqui a um ano.
  8. Durabilidade da impressão. Algumas combinações de papéis e tintas foram certificadas para permanência de mais de 200 anos (antes de apresentar os primeiros sinais de desbotamento) em centros de pesquisa independentes como o Wilhelm Imaging Research.

É claro que o futuro trará ainda mais inovações e que a tecnologia está sempre em evolução, mas já podemos dizer sem medo de errar que é possível dar saída aos arquivos digitais com uma qualidade nunca antes vista, tanto na aparência da impressão quanto nas características menos evidentes como a permanência.

 

A realidade:

 

Então é isso! Basta eu comprar uma impressora dessas e meus problemas estarão resolvidos?

 

Quem dera! Isso seria a mesma coisa que achar que bastaria montar um laboratório preto e branco no  quarto de empregada para virar o novo Ansel Adams. A chave dessa questão é que tudo dito acima é possível, mas para acontecer requer muito esforço, investimento e, sobretudo, know-how. A tecnologia avançou e trouxe novas possibilidades, mas, como tudo na vida, existe um caminho a ser trilhado. 

 

Essas impressoras são caras (embora existam versões semi-domésticas interessantes) e o investimento não acaba aí, apenas começa. Monitores apropriados, spectrofotômetros, computadores, softwares, iluminação adequada para inspeção, ambiente apropriado… e o gasto com papéis e tintas de alta qualidade (tudo importado, claro).

 

Como se isso não bastasse para afastar todos os amadores e a maioria dos profissionais ainda tem o ponto crucial: Adquirir o conhecimento teórico e prático para realizar essas impressões da forma correta leva tempo e custa caro. Embora alguns fotógrafos/artistas tenham decidido trilhar esse caminho, da mesma forma que muitos tinham seus laboratórios de filme, essa abordagem não é viável (ou desejável)  para a imensa maioria das pessoas.

 

A salvação:

 

Aparentemente a morte dos laboratórios profissionais de ampliação manual abriu caminho para o surgimento de “laboratórios” de impressão Fine Art, que trabalham mais ou menos na mesma filosofia: Atendimento personalizado e focado na qualidade para artistas e profissionais com necessidades específicas.  No exterior isso já não é novidade, mas no Brasil está começando a tomar vulto. Algumas redes de “minilabs” tentaram abraçar esse mercado, mas acabam atuando com a mesma filosofia focada na quantidade e não na qualidade, o que gera resultados inferiores. Para funcionar e valer a pena esse tipo de impressão tem que ser feita no equipamento certo, com os materiais certos, nas condições certas e sob a inspeção de quem sabe muito bem o que está fazendo. É um pouco de ciência, um pouco de técnica e um pouco de arte.

 

Vejo isso com um certo romantismo, um ressurgimento de artífices de impressão de certa forma similares aos mestres gravuristas dos séculos passados. Profissionais que conhecem detalhadamente seu ofício e o colocam a disposição de outros para que esses possam materializar e reproduzir suas obras da melhor forma possível.

 

É um novo tempo. É uma nova tecnologia que nos oferece um patamar de qualidade completamente novo, mas ao mesmo tempo faz ressurgir um ofício extremamente antigo. 

 

 
 

OBS1: Na continuação desse texto abordarei as questões práticas e como obter os melhores resultados nesse processo. 

 

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